Cobriu todas as linhas porcamente, mas foi magistral no seu limite.
Conferiu todas as entradas. Foi mais uma alfandega que um cônsul. Conhecia seus
limites. Não bem os limites dele, mas os limites pelos quais se sentia responsável.
Seu lugar no mundo não era uma tríplice fronteira, mas quase uma. Também não
era um lugar particular como o triangulo mineiro com aspirações de ser um
estado ou lugar particular que dentro de Minas Gerais não quer ser Bahia, Minas
Gerais, Rio de Janeiro ou São Paulo, nem dono de Guarapari. Tampouco interior
de Minas. Muito menos Goiás.
Felizmente seu posto não era no triangulo
mineiro nem no País Basco. Era um mero despachante no Matopiba, região
imaginária entre o Maranhão, o Piauí, a Bahia e o Tocantins que faz divisa com
todos eles. Mas não ao mesmo tempo. Tem divisa entre Piauí, Maranhão e
Tocantins. Tem divisa entre Piauí, Bahia e Tocantins. Mas não tem divisa entre
Maranhão, Bahia e Tocantins. A região contigua só existe no Tocantins. Do outro
lado há descontinuidade.
Divide-se entre duas vias: a Transbrasiliana e a Ferrovia Norte-Sul o
escoamento da produção. Uma de forma majoritariamente interna, embora possa ir
pra portos de Santos e Paranavaí: a BR-153. A ferrovia majoritariamente para
exportação através de portos no Maranhão e no Pará. A terceira via não veio. A Leste-Oeste
passa por Goiás. Todas as movimentações foram em vão. Terceiras vias são quase
sempre utopias. Você tem plena escolha entre o pior e o menos horrível. O
Matopiba imaginário teria a mais moderna agricultura e inúmeras vias de saída. Na
realidade, monocultura de exportação e pecuária extensiva. Pouca, quase irrisória
industrialização.
O Estado passou o planejamento para a iniciativa privada como fosse uma única
e unificada e não variada e contraditória. Os interesses diversos não conseguem
ser estruturados de modo a se tornarem factíveis. É um projeto que não é
projeto. Aliás nunca foi um projeto e ele ali tentando estruturar um caminho.
Um trabalho difícil pra qualquer diplomata com a estrutura de estado atras de
si. Para ele muito mais como um mero administrador, um despachante sem nenhuma
estrutura para lhe apoiar.
O Brasil copiando o Brasil. Multiplicando a si mesmo em cada pedaço de
si. Parabéns Matopiba!