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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

É quase Natal


 

Estamos hoje na véspera da segunda data mais importante do calendário cristão, a primeira é a ressurreição do Cristo, cordeiro imolado de Deus para redimir o pecado dos homens. Amanhã comemoraremos o nascimento do Nazereno, Cristo Jesus, aquele que após reduzir as leis mosaicas, os dez mandamentos a dois, teve o poder de síntese de reduzi-los a um só mandamento. Está em João 15,12: “O meu mandamento é este; amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês”, Jesus fala aos seus discípulos.

Amanhã, mais do que qualquer coisa significa a troca da lei bruta e severa do velho testamento pela lei do amor tão repetitivamente assinalada pelo Deus encarnado. Mas Jesus foi severo diversas vezes dirão alguns. Pois bem, amor nunca foi isento de cobranças e nunca existiu sem compromisso. Não, Jesus não casou com a humanidade, tampouco namorou ou noivou, entretanto foi subversivo o bastante para provocar o caos em Roma com a lei dos mansos. Ele já havia dito que os mansos herdarão o mundo. Em Mateus 5,3-12, Jesus proclama o alento que tornarão os primeiros cristãos mais firmes que as rochas: “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os aflitos, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês”. Nada poderia dar tamanho incentivo aos cristãos para que passivamente subvertessem a lei de Roma, pois a glória lhes era garantida.

O amor nasceu para subverter o mundo, integrar os que seriam naturalmente separados, desintegrados, individualizados. O amor cria as ligações, as comunidades do que é comum, as assembleias do que é incomum. O amor comunica o incomunicável. Une os diversos e comuns. Portanto não razão maior para essa festa que união. Reunir os amados e amar sem consequências, sem limites como pregou o Deus do amor. Nesta véspera estarei pensando em algumas pessoas, em alguns amados e amadas e principalmente em quem nunca sai da minha cabeça: você, meu amor.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Por uma "ligião"

 


Há pouco na páscoa comemoramos a data onde o Deus do puro amor, o Deus do Novo testamento, Jesus Cristo se fez homem. O mesmo Deus amoroso e misericordioso que resumiu as 10 leis mosaicas a apenas duas (duas leis de amor): “(...) Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos” (Mateus 22, 37-39). Ou seja, determinou que a autoridade de todos os demais mandamentos como dos demais ensinamentos cristãos baseiam-se nos mandamentos do amor, como são conhecidos os dois primeiros mandamentos.

O amor é sentimento mais coligativo, agregador, mais político que existe (você sabe que falo do que entendemos classicamente por política). No entanto, vemos hoje em dia que as denominações religiosas promovem justamente o contrário disso, sobretudo por evocarem a verdade para si, quando o próprio Deus que se fez homem afirmou em João 14,6: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”, o que não deixa nenhuma dúvida possível de que a verdade esteja no Nazareno e, que, portanto, não possa ser atributo de nenhuma religião cristã em particular, pois seria um contrassenso, um desrespeito justamente a quem lhes deu sentido.

Mas infelizmente, o problema da tentativa de ligar a Deus o que já nasceu ligado e que foi religado duplamente pelo sacrifício do filho, do cordeiro de Deus, e por pentecostes, quando o Espírito Santo vem habitar o mundo, é muito mais grave, pois provoca todos esses problemas já citados, e muitos outros, ao tentar religar o que já está ligado.

As religiosidades primitivas e até algumas do começo da história, na era escravagista, não diferenciavam o religioso do profano. Não separavam um mundo sagrado de um mundo mortal e chinfrim, quem fez isso foram as religiões "ocidentais" como conhecemos: as cristãs, árabes, judaicas, espíritas e espiritualistas também de certo modo ao se abastecer das outras. Inicialmente ninguém pensava que necessitava parar sua vida para em instante separado cultuar a uma deidade. Viver já era o ato em si. A religiosidade, os cultos, já estava implícita nas regras cotidianas quando se admirava o céu ou as estrelas ou o Mar Vermelho por exemplo.

O divino que estava dentro dos homens não necessitava ser explicado como, por exemplo, pela terceira pessoa da trindade: o Espírito Santo. Todos tinham plena consciência de ter algo divino dentro de si, ainda que não fosse uma definição perfeita, pois a maioria o tinha como algo separado como corpo e alma. Alguns povos, sábios em sua simplicidade não faziam quaisquer diferenciações. Esses povos não eram necessariamente o que os filósofos modernos chamariam de os mais primitivos. Povos como os Bretões, embora cultuassem divindades que algumas vezes viviam em mundos separados, algumas vezes só em reinos, não diferenciavam sua condição divina da condição profana.

Creio que eticamente, é muito ruim separar a crença do ato influenciado por ela. Na verdade, se conseguíssemos nem diferenciar ato e crença seria melhor ainda. Digo se a crença fosse também considerada um ato. A diferenciação entre a teoria, a fé, o pensamento e a prática é a maior causa da hipocrisia e, justamente por isto que muitos religiosos são profundamente hipócritas, embora muitas vezes até sejam imersos pelas melhores intenções.

Se religião é religar, não faz o menor sentido que as religiões, nascidas no oriente médio e, predominantes no ocidente, se esforcem tanto para diferenciar e separar os mundos da vida espiritual e material. Não existem dois mundos, o mundo é e sempre foi um só, fomos nós que por efeitos metodológicos os separamos como se alma vivesse sem corpo ou corpo sem alma. Corpo e alma, razão e emoção são uma coisa só. Nós apenas insistimos em separar a clara da gema, como se não fosse um ovo só. Seria injusto se eu não dissesse que os primeiros cristãos tinham uma ideia de religiosidade imanente, embora Deus não estivesse num mesmo plano que os homens, mas com a institucionalização das religiões cristãs tudo se perdeu e o maniqueísmo simplificador se fortaleceu.

Todo o maniqueísmo simplificador deveria ser negado pelos homens, os quais longe desse grande problema viveriam a natural e intensa ligação com Deus e experimentariam diretamente todo o seu amor. Sem a necessidade de religar, nunca precisaríamos nos desligar do que há de mais precioso em nós: nossa ligação com o Divino. Assim poderíamos ter muitas e sinceras Ligiões, embora eu acredite que no fim das contas haveria uma só, pois haveria um único objetivo: curtir a graça de sua ligação a Deus.

Uruguaio

  Vou pro Uruguai, disse-me ele. Não há país mais estável no mundo. Lá tanto faz votar na direita ou na esquerda. As diferenças são marginai...