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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Sincretismo

 


Morreu ali como se tivesse nascido. Essa seria sua história se tivesse história. Não foi abortada a sua questão, mas seria melhor dizer que ele voltou do que ressuscitou. Não era um Lazaro, era um lazarento. Um maldito necessário. Arbitrava todas as partidas. Também as chegadas. Embarcavam e desembarcavam em seu terminal vans e micro-ônibus com direção a todos os pontos cardeais. Arcebispos e bispos excomungavam aquela confusão perto da sede paroquial.

Todas madrugadas o padre Zé rezava um rosário no terminal à pretexto de abençoar motoristas, cobradores e passageiros, mas na verdade gostaria de poder amaldiçoar aquilo tudo. A pipoca doce caída alguns passageiros diziam que era para Ogum, Oxum, mas a maioria sabia que eram acidentes porque ninguém queria perder uma pipoca. A lavagem do terminal, essa sim, era feita por mães e filhas de santo.

 Alguns reencarnacionistas diziam que o terminal era sim um grande ponto de passagem. Insistiam que ali havia uma energia fenomenal e fundamental. Ou seja, fenômeno e fundamento estavam presentes ali. Nesse caso o ingresso era gratuito ou quase. O bilhete no terminal dependia da empresa e do destino. O local era apenas um agregador. Abraçava tudo: empresas, motoristas, cobradores, passageiros. Um verdadeiro sincretismo.

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...