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terça-feira, 27 de maio de 2025

O desejo


 

Os séculos XVIII e XIX (1701 a 1900) foram majoritariamente a reação do Ego ao Superego. Ou seja, a reação a eras de uma autoridade externa interiorizada com a afirmação de uma razão individual, o tal do Iluminismo. Uma reação da Idade Moderna à idade Medieval de poder teocrático dos déspotas. A troca da autoridade teológica gradualmente pela cientifica. Na segunda metade do século XIX começa o ressurgimento do Id. Percebe-se que a razão não governava nem os mais fervorosos racionalistas.

No final do século XIX fica mais evidente ainda quando Sigmund Freud lança a interpretação dos sonhos. Passa a ficar óbvio que a razão é muito frágil perto da força dos instintos. Todo mundo tem Id, Ego e Superego. Ninguém deixou de ter alguma dessas instituições em nenhum momento da humanidade. Mas é uma ilustração tosca do pensamento das épocas.

A música todo mundo vai sofrer composta por Diego Silveira, Junior Gomes, Lari Ferreira e Renno Poeta e cantada por Marilia Mendonça trabalha com a ideia do desejo muito próxima a concepção de Arthur Schopenhauer (e mesmo de Buda) para o qual o desejo traz sofrimento inevitavelmente. Quem eu quero, não me quer/ Quem me quer, não vou querer/ Ninguém vai sofrer sozinho/ Todo mundo vai sofrer.  Para Schopenhauer a solução é o afastamento, a fuga. Para Sidarta Gautama a saída é a iluminação: sabendo o que os desejos provocam controlá-los, sublimá-los.

Nietzsche acreditava na afirmação do desejo, especificamente do desejo de poder. Contrariando Schopenhauer não diria evita o doce, mas sim chafurda no doce, submeta ao pote de doce aos seus desejos. Ou seja, Nietzsche submete a razão aos desejos porque o desejo de poder pode fabricar uma nova razão. Kierkegaard nem submete a razão, ele acredita num salto de fé para superar o obstáculo da razão.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

A modéstia vale alguma coisa?

 


O filosofo Arthur Schopenhauer afirmava que a modéstia não era nada “senão uma humildade hipócrita pela qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm”. Assim temos um bom começo para discutir a modéstia, visto que outro filósofo afirmou que “antes uma falsa modéstia que modéstia nenhuma”. Esta ação ética, como muitas outras é controversa em seus resultados: muitos dizem, inclusive Nietzsche e Schopenhauer, que a modéstia é para homens pequenos. Aristóteles dizia que a modéstia leva ao sofrimento e a infelicidade.

Mas para muitos filósofos, principalmente os que existiram enquanto o humanismo ainda era preponderante, acreditavam que a modéstia tinha enorme valor. Sendo inclusive um dos pilares da ética humanista cristã, no início do humanismo e antes da religião preponderante passar a ser a ciência, quando os homens trocaram a fé em um ser superior e a posterior é no ser (em si mesmo ou na humanidade) por uma fé injustificada eticamente (logo, logo também pragmaticamente) na técnica.

Hoje num tempo em que não somos, o ser não é, somente existe ou inexiste, em que vale muito mais nossos desejos que nossas convicções, a questão da modéstia ou do orgulho tem nenhuma importância. Afinal, o ser não é, nem pode ser. Existe sem nenhuma substância, nenhuma consistência, é apenas um pequeno pedaço do movimento da história. Num tempo assim, em que mesmo em um microcosmo não somos, a própria percepção disso: um senso de realidade denominado por muitos de humildade não tem nenhum valor? Ou será que as discussões anteriores prevalecem, mesmo com o passar do tempo e o fim das condições que criaram o humanismo? Creio que essa é uma discussão que merece muitos argumentos e um bom futuro. Pessoalmente, eu creio que a modéstia continua a ser sempre a melhor política.

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...