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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Trindade Tocantinense

 


Nos primeiros anos do mais novo estado do Brasil diziam que o Tocantins era do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Embora seja um dito aparentemente religioso por referir se a Santa Trindade, mistério consagrado em um concílio, a proclamação tinha uma outra camada (irônica?):

Se for irônica estou lascado porque ninguém mais consegue identificar ironia por reflexos da luta mais justa que existe: a contra as discriminações. Uma luta que se é naturalmente e justamente muito raivosa. O que a tornou politicamente débil porque (eu tô falando de política mesmo) se não existe chance de acordo a política não tem utilidade: nada pode ser construído, nada acordado.

Voltemos a sentença de que o Tocantins é da Santa Trindade. O Pai é uma claríssima referencia ao dito criador do estado: José Wilson Siqueira Campos. Que se notabilizou como criador do estado mesmo tendo sido criado por uma assembleia constitucional na qual se o governador de Goiás, Henrique Antônio Santilo, fosse contrário não haveria a menor possibilidade de existir o estado. Também não foi uma luta isolada. Deputados federais como Totó Cavalcante brigaram pela criação e fizeram “greve de fome” como ele.

O filho é a citação de seu filho preferido, José Eduardo Siqueira Campos, ao qual fez tudo para que fosse seu herdeiro político. Infelizmente, pelas coisas da vida, só o tempo lhe deu a experiencia necessária para perto da morte de seu pai se tornasse um político muito hábil, não apenas relevante. Relevante sempre foi pela influência que tinha ao pai.

Fiz um prólogo enorme pra chegar ao que queria dizer. Desculpem-me. O Espírito Santo da Santa Trindade tocantinense é Pedro Iram Pereira do Espírito Santo (PIPES), que é dono provavelmente de todas travessias de balsas no rio Tocantins. Da Trindade é o único que é comprovadamente rico. Os outros dois também devem ser, mas não se pode provar. Dois textos fundamentais mostram como a construção do Espírito Santo na idade média (embora a construção comece com Santo Agostinho na idade antiga) formam a ideia de economia doravante: O conceito de amor em Santo Agostinho (tese de doutorado de Hannah Arendt) e o Reino e a Glória de Giorgio Agamben.

Os dois textos, o segundo lendo muito do primeiro e o aprimorando, mostram como a ideia de distribuição, alastramento formam o que seria mais evidente na economia moderna: a economia se alastra por toda parte de modo que não exista nada fora da economia. A tal modo que se torne impossível diferenciar o que é economia porque não há limites, forma. De modo que se possa afirmar racionalmente que qualquer coisa não é economia porque está tão introjetado que pode afirmar isso é cultura, por exemplo.

A tese da Hannah Arendt é muito mais útil, mas muito menos evidente porque não tem a contextualização feita por Agamben. O conceito de amor em Santo Agostinho mostra como uma distribuição do amor (de Deus aos homens, fraterno entre os homens) conduz a felicidade. Santo Agostinho fala sobre a necessidade e o direcionamento. Se considerarmos o amor uma ação econômica fica evidente: a ideia de selva em que cada que garanta a própria sobrevivência, no máximo de sua família, de seus próximos se muito. O geral, o  público, a política que se...

Um pequeno apêndice (uma morte aparentemente justa da política):

Imaginem que se anuncie um inverno longo de seis meses onde há uma plantação de macieiras. O dono da terra libera a colheita de maçãs pra resistir o inverno, naturalmente com 8 a 10% das maçãs pra ele que é o dono da terra e o resto repartido igualmente entre os funcionários. A lenha igualmente para aquecer durante o longo inverno. Derrubam-se todas as macieiras. A família do dono ao ter mais lenhas e maçãs tem probabilidade de sobreviver mais tempo. Os funcionários que seguiram as ordens devem ser os primeiros a morrer. Os espertinhos que deram um jeito de ter mais maçãs e lenha do que deveriam devem sobreviver mais tempo que os outros funcionários.  Mas todo mundo vai morrer porque não vai crescer nada a tempo de matar a fome deles depois de zerados os estoques. Ou seja, a necessidade (economia) mata a política: não há conversa, não há acordo possível, somente a gestão mais ou menos inteligente pra sobreviver que pode escalar até o canibalismo.  

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Qual liberdade?

 


Hoje decidi discutir um assunto que me agrada muito: a concepção de liberdade ao longo da história e da filosofia e a concepção deísta de Spinoza e suas consequências cerceadoras da liberdade. É interessante como por motivos diversos a humanidade chegou a concepções diferentes de liberdade, assim como caminhos diferentes para obtê-la.

Baruch Spinoza diz que o universo é formado por uma única substância e que os objetos e seres são substâncias particulares dessa mesma substância que é Deus, com isso Spinoza invalida uma das teses fundamentais do cristianismo que é o livre-arbítrio, pois sendo tudo substância particular do Criador, não há escolha independente Dele e assim mesmo que inconscientemente cai-se num certo fatalismo. Hobbes expressa uma ideia de liberdade muito interessante no Leviatã, em que ele diz que antes da existência do Estado (cabe dizer que ele era um dos defensores da monarquia) os homens podiam fazer o que bem lhes entendessem, pois não havia leis, nem mecanismos de coação, nem propriedade de quaisquer tipos e por isso tudo era permitido. Temos aqui dois conceitos libertinos, pois Spinoza foi considerado libertino tanto pelos Reformistas como pelos Contra reformistas, que são completamente adversos.

Para Aristóteles, o homem livre era o que podia exercer sua liberdade na polis e justamente por sua ação na polis era a justificativa de sua liberdade. Em suma era praticamente dizer que o cidadão grego era livre porque exercia a sua liberdade na polis. O segundo maior filósofo cristão (até porque por definição o primeiro necessariamente é Jesus Cristo), o bispo de Hipona Aurélio Agostinho, definia liberdade como justamente o contrário: "Só há liberdade quando não há mais laços materiais". Para os liberais econômicos monetaristas a liberdade é a de acumular as riquezas excedentes. Já para Marx a liberdade consistia justamente no proletariado se livrar dos grilhões que os prendem à burguesia, justamente a classe que se apropria da mais-valia.

Como se podem ver as principais ideologias presentes em nossa sociedade abrigam conceitos de liberdade diametralmente opostos uns aos outros e que cabe pensar muito bem em que considerar para formular nossa concepção de sociedade. Não estou falando de assumir um discurso, mas de construir nossas ideias sobre esse pântano de concepções. O que é mais justo?

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...