Nasceu numa
família rica, muito austera. Trabalhou desde os dois anos. A família fazia
questão de que todos os dias ele arrumasse sua cama apesar das dezenas de empregados
na casa. Trabalhou duro mesmo desde muito cedo: aos cinco anos já estava
travado numa mesa com um homebroker comprando e vendendo ações e dólares.
Trabalhou
duro de domingo a domingo. Sempre se manteve frio mesmo quando algumas vezes
deixava de ser bilionário para ser multimilionário. Sabia que era questão de
tempo para voltar a ser bilionário. Uma aposta correta devolveria os milhões
perdidos ou caso sua aposta fosse errada bastava pressionar o governo para
devolver suas perdas com correção monetária e juros.
Era um cara
muito frugal e simples. Nunca comprou uma mansão ou casa de praia. Apenas usou
as herdadas da família. Sempre comprava os melhores planos de internet pra
poder trabalhar arduamente de cada uma das casas herdadas. Era trágico. Não conseguia
todo dia pegar seu jatinho e ir para a praia. Mas, felizmente essa rotina se
deu apenas dos dois aos trinta e cinco anos.
Ele se deu
alforria. Não importava se para isso ele se tornasse apenas mais milionário. Foi
realizar seu sonho de vagar pelo mundo. Tornou-se um vagabundo, aquele que
vaga. Começou a atravessar fronteiras de país a país e sinceramente nem sempre
num hotel cinco estrelas. Muitas vezes foi obrigado a se abrigar num quatro
estrelas e não tem problema nenhum.
Nessas viagens
começou a criar um blog com dica de viagens, de onde ficar, onde ficam os
restaurantes mais impressionantes, o que visitar, etc. Essas coisas que um
vagabundo pode fazer com maestria. Em seus momentos de ócio aprendeu a afiar lâminas
de trenó, pescar no gelo, até mesmo salgar carnes no ártico. Desenvolveu a
musculatura da perna. Nunca pensou que conseguiria andar tantas esquinas de uma
vez.
Era muito
mais exaustivo ser um vagabundo. Nunca pensou que dava tanto trabalho. Tinha até
por alguns momentos a saudade de quando trabalhava. Mas... bobagem... sua nova
vida de vagabundo era muito melhor.