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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Manifesto Anarquista da Neo-Modernidade Tardia

 


A primeira declaração é que quem escreve é ex e futuro anarquista. Nunca um anarquista no momento. Essa nem vou numerar porque é óbvia. Tão evidente quanto o anarquismo. O anarquismo não é prioritariamente uma recusa a autoridade, mas uma ojeriza a submissão.

 Os anarquistas são pessoas geralmente que não se iludem com efeitos. Deste modo um anarcossindicalista, geralmente porque os anarquistas são geralmente os mais múltiplos, não lutaria por um aumento salarial simplesmente porque seria uma troca de chicote por um menos dolorido com a manutenção do tronco. A luta seria contra a estrutura de submissão. Tomar o capital como sugerem os marxistas seria somente mudar quem submete o outro. Anarquistas quebrariam as maquinas para impossibilitar a continuidade do sistema exploratório.

Deste modo quando se apregoam que os anarquistas boicotam individualmente as eleições e, muitos tem o feito, parece uma atitude de quem se preocupa muito mais com ser virtuoso do que de fato tomar partido lutar. Anarquistas deveriam fazer protestos e tentar impedir as votações. Não conseguiriam ter teria efeito pedagógico a reiteração.

Anarcocapitalismo é uma contradição em si a não ser que criem um capitalismo sem indústria e comercio só com profissionais liberais no setor de serviços. O primeiro problema do anarquismo é a submissão. Ele é contra a arquia porque a arquia diz que alguém domina alguém. O primeiro problema do Estado é o monopólio da força. Se as pessoas não aceitam submissão a primeira e obvia atitude é desmontar exércitos, polícias para não lhe forçarem a nada. E o judiciário para que não decidam nada sobre ele.

A mais importante de todas é que não existe anarquista de verdade porque são tão múltiplos que ao contrario de liberais e marxistas é impossível coloca-los numa caixinha por algum critério. Decorrente disso, nenhum anarquista concordará comigo ou com qualquer outro. Essa liberdade é talvez a única coisa que uma os anarquista embora venham de construções diferentes e cheguem a conclusões mais dispares ainda.

terça-feira, 18 de março de 2025

A Liberdade e a Coerção

 


A liberdade é considerada um dos valores dos liberais, tanto que faz parte do lema da Revolução Francesa: Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Esta última para tentar conciliar os dois primeiros valores que no capitalismo são antagônicos. Para os socialistas estes valores passaram a ser relacionados ao econômico, o que seria pertinente se não fosse considerado suficiente essa relação. Para os anarquistas, que enfatizam a liberdade, considerando que os demais nascem desta primeira necessidade, apresenta-se uma solução muito mais eficiente, embora necessite de uma sociedade muito preparada moralmente para sua implantação. Algo que praticamente impossibilita sua realização, mas suas denúncias são palpáveis, vejamos as considerações do panfletário Errico Malatesta tirado de Os grandes escritos anarquistas:

A própria afirmação de que a existência do Estado não é natural e de que o contrato social que os funda beneficia muito mais uns que outros e que para a imensa maioria é extremamente danoso, coloca em outra vista o que aceitamos tão naturalmente. Malatesta constatava ainda que “o governo significa delegação de poder, isto é, abdicação da iniciativa e soberania de todos os homens nas mãos de poucos”. Acredito que hoje se tenha muita pouca dúvida disso.

O homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite, através da herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível. Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava o pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um patrão.

Se acrescentarmos ao efeito natural do hábito a educação dada pelo patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entenderemos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo são estabelecidos.

Um contramestre em disputa

  Era um contramestre em disputa. Não porque fosse contra o mestre, muito pelo contrário. O nome era complicado: contramestre é um auxiliar ...