Era um contramestre em disputa. Não porque fosse contra o mestre, muito
pelo contrário. O nome era complicado: contramestre é um auxiliar do mestre
assim como o servente é auxiliar do pedreiro. Assim como o servente, o
contramestre é quem determina o ritmo. Não tão abundantemente quanto os
percalços que aceleram e suavizam o andamento da escola, cabendo ao mestre da
bateria apenas insinuar a normalidade.
O contramestre é a ligação do ritmo com o andamento. Não só ele. O
interprete, antigo puxador é a outra ligação. Por essa maneira que serventes
são excelentes interpretes e contramestres. Era um passista por enquanto. Já tocou
agogô e berimbau. Sonhou com o surdo, mas não deu. Era cotado obviamente para
contramestre.
O edifício evoluía num ritmo constante enquanto era apenas alvenaria. A coisa
começava a variar quando os marceneiros começavam o acabamento. Os assentadores
de piso eram muito melhor ritmados. Até instaladores de divisórias evoluíam melhor.
Emassar e pintar de certa forma liberava seu trabalho. Mesmo que não fosse o
caso, o ritmo era massivo e veloz. Edificios tem percalços, mas não são escolas
de samba.
E um edifício de escola de samba teria ritmo? Ou seria outro caso? Era o
que precisava saber. O que descobriria. Era seu novo trabalho. Passará uns
meses nisso. Quem sabe não será contramestre. Talvez se torne marceneiro. Talvez
encanador. Com o tempo descobriria tudo. Por enquanto era observar e participar
do desfile.
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