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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Um contramestre em disputa

 


Era um contramestre em disputa. Não porque fosse contra o mestre, muito pelo contrário. O nome era complicado: contramestre é um auxiliar do mestre assim como o servente é auxiliar do pedreiro. Assim como o servente, o contramestre é quem determina o ritmo. Não tão abundantemente quanto os percalços que aceleram e suavizam o andamento da escola, cabendo ao mestre da bateria apenas insinuar a normalidade.

O contramestre é a ligação do ritmo com o andamento. Não só ele. O interprete, antigo puxador é a outra ligação. Por essa maneira que serventes são excelentes interpretes e contramestres. Era um passista por enquanto. Já tocou agogô e berimbau. Sonhou com o surdo, mas não deu. Era cotado obviamente para contramestre.

O edifício evoluía num ritmo constante enquanto era apenas alvenaria. A coisa começava a variar quando os marceneiros começavam o acabamento. Os assentadores de piso eram muito melhor ritmados. Até instaladores de divisórias evoluíam melhor. Emassar e pintar de certa forma liberava seu trabalho. Mesmo que não fosse o caso, o ritmo era massivo e veloz. Edificios tem percalços, mas não são escolas de samba.

E um edifício de escola de samba teria ritmo? Ou seria outro caso? Era o que precisava saber. O que descobriria. Era seu novo trabalho. Passará uns meses nisso. Quem sabe não será contramestre. Talvez se torne marceneiro. Talvez encanador. Com o tempo descobriria tudo. Por enquanto era observar e participar do desfile.

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