Dizem que se
foi. Não está aqui. Nem nunca esteve. Mas se foi. Como deveria ter ido. Sua ausência
é sentida como nunca sua presença foi sentida. Sua ausência é absoluta. Ocupa todos
os lugares. É definitiva. Define a situação. Tudo se relaciona. Constrói todo
um mundo. É uma ideia imperativa. Tudo se articula em complemento ou oposição. Hegel
embora tivesse concebido ideias parelhas, não compreenderia isto. Kant desacreditaria.
Nietsche desdenharia. Schopenhauer teria horror. Freud nem de longe entenderia,
mas escreveria sobre. Agamben culparia a biopolítica. Benjamin saudaria sua
perdição, sua derrota. Malatesta diria que se houve uma vitória, foi esta, mas
de nada adiantou.
A eternidade
é escapadiça. Sempre existe, mas nunca fica. Está fora da temporalidade. É a
conjugação de todos os desejos e oportunidades num único instante que se esvai,
pois, a areia é movediça. O tempo destrói tudo. Só de tempos em tempos, em
instantes únicos conseguimos reunir as peças da perfeição. Peças vadias que
nenhum arranjo pode juntá-las. Elas meio que deslisam uma sobre as outras. Só muito
trabalho, perseverança e, sobretudo, acaso pode reuni-las mesmo em movimento irregulares
e descoordenados com relação a si, a si mesmo e aos conjuntos possíveis.