Deu dois passos a frente
e caiu desmaiado. Por pouco a cabeça encontrou a cama. Um belo galo se formou. Não
era nada. Tinha uma granja inteira de galos na cabeça. Agora precisava avaliar.
Fazer um novo check-up que não daria em nada, nenhuma alteração.
Não dormia na parte de
cima da treliche. Um beliche de três andares. Também não dormia na de baixo com
medo de que os outros andares caírem sobre sua cabeça. Não, não era um gaulês. Não
tinha medo da queda do céu. Dormia desconfiado. Até o sono rem abria os olhos
de quinze em quinze minutos esperando uma tragedia ou comédia.
Acordou. Tomou um belo
café. Exagerado mesmo. Talvez fosse a sua única refeição do dia. Tinha que
percorrer inúmeros setores pra conferir para o censo do IBGE. Era andar horas
em local afastado, vazio e inóspito verificando os mapas e os percursos a ser
feitos pelos recenseadores e também os nomes das ruas.
Era preciso percorrer uma
ultramaratona sem correr num prazo de dois ou três dias. Queria fazer em um dia
e meio. Tinha outros compromissos. No segundo dia ao terminar a conferencia comeu
um churro antes de ir na única psicóloga que teve. Desenhou e escreveu sua
vida.
Dali pra frente poderia
trabalhar num escritório perto de casa com grandes companheiros até pelo menos
final do ano. Embora estivesse na maior parte do tempo preso a uma mesa, aquilo
lhe dava muita mobilidade, pois poderia ir e vir muito fácil no espaço entre a
casa e o trabalho.
Observou cuidadosamente
os hábitos e comportamentos. Pode transmutar em lirismo barato. Nenhum cântico,
nem mera poesia. A prosa não veio. Veio sangue pulsante em todas as letras
dispostos a dar a vida a qualquer blasfêmia literária. Descobriu que a poesia não colore a vida. A vida
desenha a poesia. Concretando toda ilusão, solidificando os sonhos não como futuro,
esperança, mas como presença.
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