Acompanham

Mostrando postagens com marcador Horton. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Horton. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Neutralidade: uma bobagem.

 




O mundo é organizado pela técnica, nós sabemos disso. O pragmatismo, que leva o homem a um comodismo e insegurança sem precedentes na história antes da idade moderna, criou uma pretensa “objetividade neutra”. À pretexto de tornar a sobrevivência no mundo muito mais fácil, de racionalizar, organizá-lo desde a idade antiga o homem criou a técnica. Arquimedes começou esse problema ao propor “deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo”. Era o começo de uma história que terminaria na supremacia incontrolável da técnica, afinal quem é contra uma comodidade? Só quem não dispõe dela.

Assim a técnica se tornou algo indiscutível, sobre a qual nem mesmo seus valores são possíveis de serem discutidos. A técnica se autoqualificou “neutra”. Essa falsa neutralidade talvez seja o maior problema da técnica, pois pressupõe que alguma ação humana esteja fora do alcance da subjetividade, não seja influenciada por valores e não os transmita. Sobre esse assunto, um recorte do livro de Myles Horton e Paulo Freire (O caminho se faz caminhando):

“Acadêmicos, políticos, todas as pessoas que supostamente devem estar dirigindo este país dizem que precisamos ser neutros. Assim que eu comecei a examinar a palavra – neutro – e seu significado, ficou bem claro para mim que não existe essa coisa a que chamam neutralidade. É uma palavra-código para o sistema vigente. Não tem nada a ver com nada a não ser concordar com aquilo que é que sempre será – isso é que é neutralidade. Neutralidade é simplesmente seguir a multidão. Neutralidade é apenas ser o que o sistema nos pede que sejamos. Neutralidade, em outras palavras, era um ato imoral (...) Neutralidade. É por isso que a neutralidade é a melhor maneira de esconder uma escolha, veja só. Se não estamos interessados em proclamar nossas escolhas, então dizemos que somos neutros” (HORTON, 2003, p. 115 e 116).

Assim somos enganados pelo monstro que criamos e aceitamos ser devorados desde que o processo seja lento, indolor e não nos canse. Mas a promessa do ócio não parece ser cumprida nunca, já que o trabalho invade até o nosso lazer. E coisas como o Ócio criativo de Domenico de Mais, reforçam essa impressão. O ócio não era pra ser exatamente o descanso da atividade criativa, produtiva? As perversões do homem pelo trabalho devem explicar isso. Eu não. Mas pensemos. A neutralidade é exatamente isso, se tornar escravo de um sistema que hoje já independe da ação dos homens para se reproduzir indefinidamente.

Um contramestre em disputa

  Era um contramestre em disputa. Não porque fosse contra o mestre, muito pelo contrário. O nome era complicado: contramestre é um auxiliar ...