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terça-feira, 4 de agosto de 2026

A horta e o pomar

 


Pensou um instante. Cansou. Tinha vinte quilômetros para atravessar, não de modo incidente, mas radial ou sei lá o que é isso. Em uma volta retangular chegaria novamente em casa ou no trabalho. Plantara seis bananeiras que não podiam dar frutos porque apenas se pusera de ponta a cabeça. Na porta de casa um pomar e uma horta. Um cenário que era um recorte de uma monocultura que era às vezes soja, outra vez milho.

A cerca do pedaço interno estava intacta. Não havia nenhum corte. Sem invasões de humanos ou animais. O pomar e a horta continuavam isolados por cerca e por fosso de todo o resto. Todo o restante estava mecanizado: plantadeiras, adubadoras, pivôs centrais, colheitadeiras e debulhadoras. A parte interna perto do casarão era cuidada manualmente por uns três zeladores.

No final de semana iam pra feira vender o excesso de verduras e frutas não consumidas no período. Ganhar um bom dinheiro com produtos orgânicos não certificados, mas com altíssima credibilidade. Para tal levam dois semi-caminhões cheios de mercadorias para preencher umas cinco barraquinhas. Em poucas horas vendem tudo. Recolhem o resto para levar de volta porque não compensa ficar a tarde para vender o pouco que sobrou. Algumas vezes distribuíam a sobra mesmo só pra não ter que levar de volta.

Umas duas vezes por ano com a colheita da soja ou do milho fazia melhorias no casarão. Também aperfeiçoava o maquinário, replicava a manutenção. Transformava todo o sistema em mais redundante. Então a feira respondia aos gastos do dia-a-dia e a colheita da monocultura aos investimentos. Obviamente gostava muito mais do pomar e da horta do que das outras coisas. Se pudesse transformaria a fazenda toda em pomar e hortas, mas estava muito cômoda com o status atual. E sabia que era impossível fazer isso.

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