Costurou os zagueiros como se fossem zangões. Um de costa para o ouro. Ferroando-se
mutuamente. Era a vantagem de ser um corredor de média distância. Média
distância? Sei lá! Entre 800 e 1500 metros. Lembrou-se desse lance umas duas ou
três vezes na vida. Mais era lembrado do que remorava. Aprimorou-se na corrida
e foi mais a fundo: se tornou maratonista. Esporte que teve que abandonar pra
ser assessor de um ex-esportista que virou deputado estadual.
Foi demitido por ser excessivamente inabalável. Era além de péssimo negociante,
um cara que não entendia bulhufas de negociação. Pelo menos de atender um barganhador.
Era um cara que diria: é isso se quiser levar, se não quiser... Foi pego
publicamente discutindo com o seu chefe por causa de virgulas. Já tinha brigado
privadamente indo até o nível físico, mas a cena publica o salvou de trabalhar
naquilo que era completamente inadequado.
Se tornou representante de uma multinacional daquelas que não precisa
negociar. Apresentava os produtos em
grandes vitrines. Não fazia publicidade além do boca à boca porque era um
produto pra quem conhece, um produto pra poucos. Não tinha o mínimo interesse
em popularizar o produto, embora tivesse o interesse de vender pra todos desde
que pensassem que só eles tinham.
Sim, ele era um elitista.