Vou pro Uruguai, disse-me ele. Não há país mais estável no mundo. Lá
tanto faz votar na direita ou na esquerda. As diferenças são marginais,
disse-me ela. O casal morou muito tempo nos Estados Unidos onde se podia
escolher entre a centro-direita e a direita. Opções muito próximas. Com a
tomada dos republicanos pela ultradireita com margem na Klu Klux Kan, a direita
foi eliminada pela extrema-direita.
A Republica Oriental do Uruguai é
sem dúvida o deposito de paz do mundo. Talvez pela sua inexpressão em tamanho,
mas sua enorme importância geográfica. O país pela sua posição estratégica consegue
controlar o acesso entre o Rio da Prata e o Oceano Atlântico. Durante muito
tempo foi um protetorado britânico não oficial para garantir as rotas da
marinha inglesa, a primeira predominante no mundo. Mas com enorme influencia
brasileira do qual foi inclusive território.
Sofreu reivindicações argentinas também, mas a republica platina era
menos poderosa que a Inglaterra e o Brasil. Nasceu dessa forma multicultural
com brasileiros, ingleses, argentinos, ingleses, holandeses, franceses, etc. Conseguiu
ser um grande latifúndio ao mesmo tempo que tem algumas das cidades mais
modernas e estruturadas. Feito esse acordo: liberar o espaço para as
monoculturas de exportação em troca de poucas cidades grandes ocupando um
diminuto território do país.
Eu morro de inveja desse povo que vive sem sobressaltos, sem medo de
inovações e com a fama de ter o melhor churrasco do mundo apesar de ser muito
ruim. Que se concentra na capital Montevideu. Uma cidade muito estruturada,
muito centrada no turismo e na prestação de serviços. Paulo e Júlia, Luís e
Camila devem viver muito bem por muitos anos. Seus filhos e netos também. Eu,
espero não precisar ir pra lá. Espero que um dia o Brasil ou Chile encontre
essa estabilidade. Mas nunca excluirei a necessidade de me tornar uruguaio.
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