A modernidade
é uma maravilha e uma tragédia. Quanto ao fato de ser uma tragedia, há pouco a
fazer. A maior lição da própria modernidade é que a história não volta. Não voltaremos
ao escravismo para que os cidadãos livres tenham ócio e possam discutir os problemas
na praça pública. Eu espero que ninguém tenha essa expectativa nefasta. É preciso
construir outras maneiras de nos libertar da economia.
Quem leu A
Condição Humana, de Hannah Arendt (não é um livro baba, mas importantíssimo de
ler) percebe o tanto que o trabalho deixou de ser a construção de algo, criação
ou manutenção de algo fora da própria vida. Existe criação ainda? Existe.
Obvio! Mas quem são as mentes criativas? Hoje nas empresas existe até setor criativo
para diferenciar do trabalho maquinal, automático que fatalmente será substituído
por maquinas como robôs e inteligência artificial. O trabalho é majoritariamente
condição de sobrevivência. Se a pessoa não trabalhar, morre.
Assim a economia
conseguiu capturar a biopolítica e se tornar fundamental, se manter com mais
força no centro das discussões. Mas é um caminho da captura, da submissão. O
caminho da liberdade é a política. Temos que devolver a ação à política. Agir
deve ser o fato político. Nada de procurações. Se nós queremos e é possível porque
há um consenso pelo menos regional, territorial, nós mesmos fazemos ou
provocamos. Não procuramos representantes para agir com procuração junto a outros
representantes nossos. Basta de buscar o poder para ter o poder de buscar o
poder.
Napoleão quando
instaurou a burocracia racional nunca pensou nisso. Ele pensou numa escada, talvez
essas pirâmides com níveis, não nos labirintos que criamos. Uma maquina que não
intercede, não é uma alavanca para mover o mundo, mas um conjunto de paredes
para conter as pessoas (ou povo, mesmo nas diversas acepções que tomou). Não contem
a sociedade porque a sociedade faz parte do mesmo mecanismo, mesma máquina.
Quanto a isso. Nada mais importante que ler Kafka. Não só um livro dele, mas
muitos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário