A modernidade trouxe a absorção da política pela economia. Aristóteles
nunca pensaria nisso pois viveu na idade antiga ou no escravismo onde a economia
(as coisas da casa) não seria nem considerada. A família, a casa eram coisas
privadas, portanto necessitavam de privacidade. Essa privacidade era inquestionável.
Outra questão que não discutirei aqui é que política e ética eram inseparáveis
porque ambas eram “ciências” da ação. No mínimo epistemologias da ação. A ideia
de que a política era constituída pela ação, de que a política era o modo de
alcançar algum fim diretamente colocava a política no centro (coração) a polis.
A ideia moderna de economia nasce na idade média sob o efeito das
doutrinas ou ensinamentos de Santo Agostinho de Hipona, filosofo ainda da idade
antiga. Santo Agostinho consagra uma interpretação neoplatônica
das cartas de Paulo. Uma ideia do Espirito Santo como fluido, meio que, por
distribuição dos dons dentre outros, liga os seres humanos, estabelece uma
comunicação. Ou seja, cria a ideia moderna de economia.
Estamos imersos na economia. Existem outras coisas como a política, mas
são meros meios para interferir na economia ou serem usadas por ela. Nasce a economia
politica para substituir a política. As duas mais importantes ideologias (tanto
faz a interpretação napoleônica ou marxista nesse caso), no caso o liberalismo
e o marxismo nascem sob égide da modernidade e o domínio da economia. Apenas o
anarquismo (me refiro ao anarcossindicalismo ou ao anarco-socialismo) nasce de um contraponto a
isso. Mas não importa, este não floresceu, nem florescerá tão cedo em algum
lugar.
Essa ideologia (já disse, usem qualquer acepção que cabe por motivos
diferentes) nos vitima pois pensem meu simples
exemplo besta: há uma praça. Desejamos que fosse bonita, que fosse agradável. Mas
como ocorrem furtos na praça evitamos frequentá-la. Frequentar a praça vazia é
perigoso e por isso ela é vazia. Assim reclamamos, falamos absurdos e algumas
vezes até conseguimos uma ronda na praça. Mas nosso temor a mantém vazia e propícia
para pequenos furtos e até para o comercio de entorpecentes.
Se agíssemos, ocupássemos a praça como nossa (espaço público). Cobrássemos
melhorias constantes. O próprio movimento diminuiria o furto não só pelo fluxo
de pessoas, mas também pela cobrança que mostraria a administração que o espaço
é importante. O fluxo de policiamento se torna natural porque é um espaço
eleito como importante. Não estamos falando de um objeto mais do qual ninguém
se importa.
Ou seja, trocar uma atitude econômica (medo de ser assaltado) por uma
atitude política (agir) resolve múltiplos problemas interligados. É preciso
trocar o particular (economia) pelo público (política).
Pulei uma coisinha no meio, Maquiavel (um moderno lá do início)
transformou a política em um meio para outro meio. A política, deturpando muito
ele, mas menos que a maioria, é um meio de adquirir poder, para só assim com o
poder, poder fazer o que é necessário. Na idade antiga não existia esse intermediário:
agir era fazer diretamente o que se desejava, o que era necessário
Nós estamos imersos nessa ideologia da intermediação. Votamos em representantes.
Escolhidos para nos representarem. Nas poucas possibilidades de uma democracia
direta como propor uma lei ou lutar para trocar as lâmpadas da rua, as quais
nos competem diretamente preferimos correr atras de nossos representantes que
são muito menos potentes que nós. Pensa em dez caras uma semana azucrinando o
prefeito. Só dez, nem precisa mais. Toda democracia direta precisa ser
cultuada, salva, idolatrada. Mas preferimos a economia, sermos representados,
termos representantes comerciais.
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