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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Contra a modernidade

 


A modernidade trouxe a absorção da política pela economia. Aristóteles nunca pensaria nisso pois viveu na idade antiga ou no escravismo onde a economia (as coisas da casa) não seria nem considerada. A família, a casa eram coisas privadas, portanto necessitavam de privacidade. Essa privacidade era inquestionável.

Outra questão que não discutirei aqui é que política e ética eram inseparáveis porque ambas eram “ciências” da ação. No mínimo epistemologias da ação. A ideia de que a política era constituída pela ação, de que a política era o modo de alcançar algum fim diretamente colocava a política no centro (coração) a polis.

A ideia moderna de economia nasce na idade média sob o efeito das doutrinas ou ensinamentos de Santo Agostinho de Hipona, filosofo ainda da idade antiga.   Santo Agostinho consagra uma interpretação neoplatônica das cartas de Paulo. Uma ideia do Espirito Santo como fluido, meio que, por distribuição dos dons dentre outros, liga os seres humanos, estabelece uma comunicação. Ou seja, cria a ideia moderna de economia.

Estamos imersos na economia. Existem outras coisas como a política, mas são meros meios para interferir na economia ou serem usadas por ela. Nasce a economia politica para substituir a política. As duas mais importantes ideologias (tanto faz a interpretação napoleônica ou marxista nesse caso), no caso o liberalismo e o marxismo nascem sob égide da modernidade e o domínio da economia. Apenas o anarquismo (me refiro ao anarcossindicalismo ou ao  anarco-socialismo) nasce de um contraponto a isso. Mas não importa, este não floresceu, nem florescerá tão cedo em algum lugar.

Essa ideologia (já disse, usem qualquer acepção que cabe por motivos diferentes)  nos vitima pois pensem meu simples exemplo besta: há uma praça. Desejamos que fosse bonita, que fosse agradável. Mas como ocorrem furtos na praça evitamos frequentá-la. Frequentar a praça vazia é perigoso e por isso ela é vazia.   Assim reclamamos, falamos absurdos e algumas vezes até conseguimos uma ronda na praça. Mas nosso temor a mantém vazia e propícia para pequenos furtos e até para o comercio de entorpecentes.

Se agíssemos, ocupássemos a praça como nossa (espaço público). Cobrássemos melhorias constantes. O próprio movimento diminuiria o furto não só pelo fluxo de pessoas, mas também pela cobrança que mostraria a administração que o espaço é importante. O fluxo de policiamento se torna natural porque é um espaço eleito como importante. Não estamos falando de um objeto mais do qual ninguém se importa.

Ou seja, trocar uma atitude econômica (medo de ser assaltado) por uma atitude política (agir) resolve múltiplos problemas interligados. É preciso trocar o particular (economia) pelo público (política).

Pulei uma coisinha no meio, Maquiavel (um moderno lá do início) transformou a política em um meio para outro meio. A política, deturpando muito ele, mas menos que a maioria, é um meio de adquirir poder, para só assim com o poder, poder fazer o que é necessário. Na idade antiga não existia esse intermediário: agir era fazer diretamente o que se desejava, o que era necessário

Nós estamos imersos nessa ideologia da intermediação. Votamos em representantes. Escolhidos para nos representarem. Nas poucas possibilidades de uma democracia direta como propor uma lei ou lutar para trocar as lâmpadas da rua, as quais nos competem diretamente preferimos correr atras de nossos representantes que são muito menos potentes que nós. Pensa em dez caras uma semana azucrinando o prefeito. Só dez, nem precisa mais. Toda democracia direta precisa ser cultuada, salva, idolatrada. Mas preferimos a economia, sermos representados, termos representantes comerciais.

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