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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A Modernidade e o Vagabundo

 


A chegada da Idade Moderna nos termos em que foi defendida como a era das luzes. O aumento da liberdade mesmo nos mais infames despotismos porque agora o castigo, até mesmo a morte, se restringe a esse mundo.  É um grande salto porque para quem acredita na vida após a morte ou na imortalidade não existe mais um fim definitivo. Isso é apenas um detalhe: a modernidade trouxe regras laicas muito mais ligadas ao funcionamento ou rotina que a proibição das ações em si. As paredes foram trocadas por corredores que em algumas vezes se tornaram labirintos, mas de toda forma tem um percurso com entrada e saída. Paredes que interrompiam o percurso eram definitivas. Poderiam ser derrubadas? Com imensa dificuldade, mas poderiam. Outra seria construída pois a ideia é proteger uma hierarquia. Labirintos protegem? Protegem, mas não impossibilitam.

A modernidade evoluiu de um jardim troiano para uma maquina com o seu auge napoleônico. Do escape de jaulas por trilhas cheias de perigo para uma associação (principalmente com a ideia de sociedade civil rousseauniana) na qual todo mundo tem sua função para possibilitar o funcionamento da máquina (que é o plano geral, muito além do Estado). Cria-se uma sociedade (esse termo claramente econômico) em que todos tem seu oficio. Quem tem um oficio disfuncional precisa ser corrigido ou eliminado. Uma boa comparação é dizer que é uma doença.

O sábio é meio que morto. A figura do vagabundo (aquele que vaga, viaja) é intensamente combatida pois ele é uma peça que falta nas engrenagens, pois está sempre indo de uma maquina a outra. O vagabundo toma uma acepção de desocupado, quando ele está sempre quebrando galho e no inicio da modernidade fazer o que quase ninguém sabia fazer pois ele tinha estado em lugares e situações que quase todos os outros não estiveram. Há um ódio ao ócio. Sem o ócio, pensadores e pesquisadores não existem. O próprio pensamento se torna colonizado. Tudo precisa estar encaixotado para facilitar o uso. Troca-se a excelência pela rapidez. Ou, pelo nome atual, eficiência.

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