Morreu ali como se tivesse nascido. Essa seria sua história se tivesse história.
Não foi abortada a sua questão, mas seria melhor dizer que ele voltou do que ressuscitou.
Não era um Lazaro, era um lazarento. Um maldito necessário. Arbitrava todas as
partidas. Também as chegadas. Embarcavam e desembarcavam em seu terminal vans e
micro-ônibus com direção a todos os pontos cardeais. Arcebispos e bispos excomungavam
aquela confusão perto da sede paroquial.
Todas madrugadas o padre Zé rezava um rosário no terminal à pretexto de
abençoar motoristas, cobradores e passageiros, mas na verdade gostaria de poder
amaldiçoar aquilo tudo. A pipoca doce caída alguns passageiros diziam que era para
Ogum, Oxum, mas a maioria sabia que eram acidentes porque ninguém queria perder
uma pipoca. A lavagem do terminal, essa sim, era feita por mães e filhas de
santo.
Alguns reencarnacionistas diziam
que o terminal era sim um grande ponto de passagem. Insistiam que ali havia uma
energia fenomenal e fundamental. Ou seja, fenômeno e fundamento estavam presentes
ali. Nesse caso o ingresso era gratuito ou quase. O bilhete no terminal
dependia da empresa e do destino. O local era apenas um agregador. Abraçava tudo:
empresas, motoristas, cobradores, passageiros. Um verdadeiro sincretismo.
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