Gatos, gatos, gatos e mais gatos. Uns empilhados sobre os outros. Chegou
em casa. Pelos e pelos para limpar. Sentou no tamborete. Tomou coragem e gastou
a manhã aspirando os pelos e pós da casa. Achou uma pausa. Na verdade, não
achou. Determinou. Tomou um balde d’água e começou a passar o pano na casa.
Saiu de casa para almoçar e deixar secar o chão. Ligou todos os
condicionadores de ar para ajudar a evaporar a água. Almoçou um delicioso p.f.
no bar da esquina, tomando conhaque no bar da outra esquina. Gastou umas duas
horas nesse intercurso ente sair de casa e voltar pra casa. Chegou a tempo de
dormir e depois virar a noite para pautar dois dos três principais jornais da
cidade: O confiável, cheio de interpretações estrambólicas; O paradigma, inovador
e cheio de hermetismo.
Logo cedo poderia cochilar até as seis ou sete horas, enquanto os gatos
usavam a casa como parque de diversão. Não era raro encontrar cacos de vidro ou
cerâmica de vasilhas que não foram devidamente guardadas. Pensava ardentemente
ao acordar comprar um perdigueiro para colocar ordem na casa. Seria melhor
comprar um gateiro. Não havia perdizes dentro da casa.
Pensou muito em criar aves no quintal de casa. Gostava de gansos, mas esses
são muito barulhentos. Também de patos, mas esses são o demônio. Já correu de
patos? Pensou em avestruzes, mas são muito grandes. Nunca pensou em pombos, odiava
ratos. Decidiu criar peixes num aquário aberto. Gastava boa energia numa bomba
para circular a água. Deste modo, varias placas solares nas telhas da casa.
Assim fotografaram para mim. Mais nada foi me passado. O resto? Tudo
tirado do testamento, ainda feito em vida e erroneamente publicado em um dos
jornais. Erroneamente replicado nos outros dois. Os peixes foram deixados para
os gatos. Os gatos para os dois vizinhos laterais. Causa da morte ainda não ocorrida:
provavelmente botulismo. Bom... nada mais a declarar.
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