Driblou as pedras e se embaraçou nas águas. A umidade invadiu-o. a
humildade foi-se. Nadou como nunca. Nadar era novidade. Se virou como um
sobrevivente de desastre. Foram cinquenta metros de desespero. Não se lembrou
de que bastava colocar os pés no chão e o pescoço estaria fora das águas.
Jogaram uma boia e o puxaram para a areia. Não sei porque jogaram pois podia-se
apenas levar a boia andando para o suplicante. Mas não quiseram ridicularizaram-no.
O suplicante voltando a terra implorou para que não contassem pra ninguém. Não contaram,
mas a praia estava cheia.
Se tornou muito popular. Tão popular que certamente seria eleito vereador
se tivesse um partido para lhe suportar. Era insuportável, diziam muitos, mas
na possibilidade de eleger alguém partidos tampam o nariz. Não foi eleito por
uma providencia divina. Muitos ateus se tornaram deístas, cristãos ou não.
Baita jogada de marketing evitar um desastre como esse. Talvez agora não
venham mais dilúvios, mas dias que nascem sombrios e se iluminam, florescem.
Certamente um novíssimo testamento. Sem discípulos, mas com testemunhos,
testemunhas por todos os lados. Desatentos a qualquer dogma construindo suas
convicções dos modos mais variados para que qualquer um caia num deísmo possível.
Desse modo o Novíssimo Testamento canibalizou a Nova Era não acontecida e
se solidificou como a única convicção plural em que qualquer coisa era a mesma
coisa e tudo o que surgisse já existia.
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