Nadou, nadou e não saiu do lugar. Um redemoinho de terra as pessoas da
cidade grande não veem no centro antigo da cidade. Não tinha uma duna de areia
pra nadar. Pouco sinalizavam aqueles coqueiros exóticos onde estavam. A meio
quilometro dali um canavial. Terra preta, muito boa. Muita calagem.
Era um deserto de gente aquele espaço. Uma comunidade de maquinas. Colheitadeiras
e plantadeiras dos mais variados tipos. Uma pequena casa de paredes grossas
cheia de fios a entrar e antenas a sair. Lá dentro uma ou duas pessoas. Cinco pessoas
se revezavam pelo mês para coordenar a modernidade.
Robusta refrigeração quase frigorifica obrigava o uso de vários casacos
intensamente revistados na entrada a na saída. Chuveiros químicos nas saídas monitores
infravermelhos e raios-x. Vigilância aguda por vídeo vê todos/todas desnudos/desnudas.
Clausulas que praticamente anulam os direitos dos funcionários sobre os próprios
corpos. Biopolítica na veia.
Todos muitíssimo bem pagos com direito a micro moradia da mais alta
qualidade e automação intensamente monitorada com limpeza automática da casa,
das roupas, geladeira sempre completa por automação, televisão com todos os
streamings. Mas do trabalho até a casa nenhum acompanhamento, nenhuma segurança,
um vazio.
Não era comum, mas vez outra acreditavam que algum deles tinha morrido. Evitavam
criticar a empresa. Eles próprios não se conheciam. Nem mesmo as equipes atuam
juntas no trabalho. Está cada um em seu segmento. Mas não importa: não podem se
prender a conjecturas, suposições.
Melhor seguir a vida e não se prender a teorias da conspiração. A empresa
garante a segurança deles tanto no trabalho como em casa. O percurso embora
dentro dos limites do latifúndio (cada um vai para seu canto) não é
responsabilidade da empresa. Se for o caso de morrer já teriam vivido uma vida
muito boa. Trabalhavam um dia e folgavam
dois nas casas da empresa. Só podiam sair de lá nas férias a cada dois anos por
quarenta e cinco dias. Quinze eram comprados. Embora fosse ilegal todos
topavam. Não queriam perder seus ótimos empregos. Ou talvez até algo mais como se
podia ouvir a boca pequena.
Tudo teoria. A única coisa certa é que ao morrer seriam cremados e suas
cinzas seriam usadas para calafetar a plantação. Continuariam sua eternidade
por ali já não mais, nem teoricamente, donos de si. Estariam plenamente
integrados seriam a própria empresa. Não mais empregados.
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