Houveram outros. Sim, sempre houveram outros. Mas dessa constatação ela
passava. Criara do nada a reinvenção sem esse negócio de reciclagem,
reaproveitamento. Talvez fosse algo
teatral. Provavelmente nem teatro fosse. Apenas um ato após o outro se tecia o
que era bem tecido. Com alguns reveses comuns a vida, mas com contiguidade nas
reviravoltas. Era como se as cambalhotas do ginasta fossem em linha reta.
Se a beleza se revelasse nas concavidades ou convexidades do espirito, os
vermes queriam mesmo é comer a carne. Malhou incansavelmente na academia para
manter os ossos fortes. Tomou sopa de casca de ovo para fixar o cálcio necessário.
Botava umas verduras e legumes para dar sabor, mas o crucial era a dúzia de
cascas de ovos trituradas no pilão.
Sentia de seu jazigo que sua carne generosa a cada momento adubava mais a
terra. Estava se tornando um alimento saboroso para vegetais. Se desintegrava e
cada vez mais abraçava a terra. Se sentia plenamente integrada. Chegara a sua
plenitude. Os vermes a adoravam. Ninguém na vida olhou para ela com tanto
desejo.
Comera vegetais a vida toda. Agora os vegetais desfrutavam dela. Justo.
Os minerais? Mineralizou, desmineralizou. Estes eram inertes, mas inúteis que
seu ex-marido. Porém mais integrativos. Tão grudentos quanto o falecido. Sim. Assim
como todos os minerais passam ou permanecem inertes, impassíveis as interações.
Ela meio que estava ali como um mineral, impassível, mas disponível a
toda interação. Inebriada pelas raízes que trançam na sua carne, quer dizer,
ex-carne. Assim era seu descanso definitivo, não acreditava em morte.
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