Lavou as pernas. Tinha atravessado pântanos imaginários e reais. Acreditava
estar com lodo nas canelas, mas sabia que a altura da lama poderia ser até o
pescoço. Não era uma areia movediça. Preso naquele quarto cercado por espelhos
nos seis lados enfrentava seu maior inimigo, seu único opositor digno.
Bastava abrir a porta e sair, mas os espelhos... eles refletiam a imagem
que mais amava e mais temia. Precisava sair dessa encruzilhada. Resolver o
dilema. Ir para casa e depois pra
academia ou ir para academia e depois pra casa. Era tudo questão de andar. Poucos
metros até o prédio e lá academia num andar, apartamento em outro.
Nunca admitira a vaidade. Achava que mostrar o extremo auto-apreço era
falta de humildade. E ele tinha a certeza que era senão a, uma das pessoas mais
humildes do mundo. Embora soubesse que a beleza abre portas e as entradas de
shoppings e comércios se abriam para ela, dizia que eram portas automáticas mesmo
sabendo que no fundo nem precisava que fossem.
Seu edifício era simples, comum. Não comprava coisas de marca, coisas
famosas. Não ficava bem se exibir dizia. Provavelmente a verdade é que não
queria distrações, algo que concorresse consigo. Não queria chamar a atenção
por algo que não fosse orgânico dele. Seu lema era a simplicidade, humildade, modéstia,
embora fosse o poço extremo da vaidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário