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segunda-feira, 2 de março de 2026

Filosofia

             Nasceu ali, viveu ali. Não queria morrer ali. Aquele era seu lugar na floresta. Não importa se rural ou urbano. Naquele recanto era indistinto, indiferenciado. Tudo ali era urbano e rural ou nem urbano, nem rural. Portanto, nada importa ou tudo importa. Não que alguma coisa importe ou desimporte.  O que vale é o todo ou a negação do todo.

Ali era possível pensar. Parar, concatenar pensamentos e desdobrar raciocínios. É possível andar sem pressa e perceber as nuances. Ter maior quantidade e qualidade de dados. Uma perda sentida ao sair da ilha para ir ao continente aprimorar as técnicas para processar as informações, conformar os conhecimentos.

Aprender metodologia para tornar universal o que é particular. Ou melhor, perder sua própria língua para conseguir se comunicar. Ela, rapidamente percebeu isso. Todo dialogo é ideológico porque está prenhe de ideias. Possui uma norma bem clara pra ser entendido.  Se muito desrespeitadas essas regras, não há comunicação.

Assim aprendeu a pensar como os continentais, mas passou a usar um antolho como todos eles. Perdeu a pluralidade da visão, embora fosse quase impossível expressá-la para conseguir se exprimir. Deixou de ver tanto as coisas inexplicáveis passou a observar muito raramente e por costume o que não tem nome.

Aprendeu o que é ser um estrangeiro. O que todos pelo menos um pouco são. Mas que a maioria nem percebe ou se auto engana. Linguagem é integração. Também é submissão. O pensamento é colonizado para se tornar universal. E a matriz. A matriz é cada dia mais etérea. As regras estão aí. Mas servem ao nada. Nidificaram.

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