Nasceu tagarela. Angustiado por pensar demais. Intuía várias coisas e
observava no usual o incomum. Via o que praticamente ninguém conseguia
observar. Deste modo buscava apoio em conhecimentos já testados para ter alguma
entrada no debate. Portanto tornou-se um viciado no silencio.
Quanto mais estudava o pensamento estruturado ou desestruturado de outros
mais percebeu sua ignorância e a dos outros. Passou a sentir pena de quem tem certezas.
Ao mesmo tempo em que sentia inveja dessa ignorância. Sentia inveja de qualquer
ignorância. Procurar o conhecimento para ao acumular saber que cada vez sabe menos.
Cada vez mais entendia Sócrates e desentendia a epistemologia. Desse modo,
primeiro intuiu, depois compreendeu que o sábio é que se cala. O que não
diagnostica e provoca o próprio interrogante a refletir e encontrar sua verdade
particular. A única possível e sem possibilidade de universalização. Era como
se a filosofia fosse naturalmente antifilosófica. O pensamento estruturado
artificial. Um construto humano.
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