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sábado, 27 de dezembro de 2025

O furo é o novo

 


Já que eu já comecei a repetidamente deturpar um aspecto da interpretação sobre a teoria histórica de Walter Benjamin. Deixa-me aprofundar ainda mais explorando um aspecto da minha interpretação. A essa altura é mais uma teoria minha com crença de ter base benjaminiana do que um neobenjamismo (a palavra não existe, mas por similaridade tenho certeza que entendem).

Vou me focar num único aspecto do texto passado (Natal): o novo ser um furo no sistema, um desvio da regra estrita. Se nos debruçarmos nessa ideia de que o novo é o que escapa, o que possibilita uma fuga poderíamos pensar que seria um universo anarquista em plena ordem burocrática. De outro modo poderia dizer que é um espaço de liberdade em plena opressão.

Em epistemologia talvez não possamos falar nem de longe em mudança de paradigma, mas pra dar uma imagem forte: imaginem uma dobra do plano. O papel esticado mostra um universo organizado, um cosmos. Uma dobra muda significativamente a lógica. Parte do que está escrito no verso veio pra frente. O que estava escrito a frente foi condensado e recortado. O universo novo é fruto do novo arranjo.

Não houve transformação. Houve reacomodação. É o desafio de montar um novo quebra-cabeça com menos peças por um lado, mais peças por outro formando a nova imagem possível. Somente é possível porque não compromisso de reproduzir o existente, o passado. É factível porque pretende-se o novo. O defeito do piano ocasiona um novo instrumento (um órgão? Algo ainda não descrito?).

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