Já que eu já
comecei a repetidamente deturpar um aspecto da interpretação sobre a teoria histórica
de Walter Benjamin. Deixa-me aprofundar ainda mais explorando um aspecto da
minha interpretação. A essa altura é mais uma teoria minha com crença de ter base
benjaminiana do que um neobenjamismo (a palavra não existe, mas por
similaridade tenho certeza que entendem).
Vou me focar
num único aspecto do texto passado (Natal): o novo ser um furo no sistema, um desvio
da regra estrita. Se nos debruçarmos nessa ideia de que o novo é o que escapa,
o que possibilita uma fuga poderíamos pensar que seria um universo anarquista
em plena ordem burocrática. De outro modo poderia dizer que é um espaço de
liberdade em plena opressão.
Em epistemologia
talvez não possamos falar nem de longe em mudança de paradigma, mas pra dar uma
imagem forte: imaginem uma dobra do plano. O papel esticado mostra um universo organizado,
um cosmos. Uma dobra muda significativamente a lógica. Parte do que está
escrito no verso veio pra frente. O que estava escrito a frente foi condensado
e recortado. O universo novo é fruto do novo arranjo.
Não houve
transformação. Houve reacomodação. É o desafio de montar um novo quebra-cabeça
com menos peças por um lado, mais peças por outro formando a nova imagem possível.
Somente é possível porque não compromisso de reproduzir o existente, o passado.
É factível porque pretende-se o novo. O defeito do piano ocasiona um novo
instrumento (um órgão? Algo ainda não descrito?).
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