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domingo, 28 de dezembro de 2025

Invicto

 


Quem quiser entender, entenda. Não recomendo. Desentenda. Tenha alucinações teatrais. O texto está aí. Não é pra se levar a sério. O texto vai pra academia. Não é marombeiro. Mas gosta de se contorcer. O texto deseja flexibilidade, mas também deseja ficar definido. O texto é contraditório.

O texto pega no peso. Acha sempre que tá demais. Tá sempre pegando pesado. Por isso faz inúmeras repetições nunca da mesma forma com a maior leveza possível. O texto quer ficar esbelto, mas tem sempre umas sobrinhas. Como escapar da tentação de um advérbio ou adjetivo. Gosta de um pronome gasto às vezes. Outras vezes busca um lugar pra um termo neófito.

Corre sempre o seu circuito como se fosse correr mil e quinhentos metros, mas acaba andando uma maratona. Tenta por mil vezes interromper o percurso, mas não consegue para por ali. Contorna uma esquina e sente-se um farsante se não mostrar a rua inteira. Tenta mostrar o impercebível e aí está sua poesia. Não fala do que expressa, mas do que não relata. Permite o leitor achar seu bar, seu restaurante, sua mercearia, sua biblioteca no caminho. Abandonar o percurso e ressignificar o texto segundo o bar, a biblioteca, a boate.

O livro segue não sendo ele mesmo. Difamado pelos fofoqueiros. E diz falem mal, mas falem de mim. O autor morre de desgosto. Mas o texto não se importa com o autor, mero instrumento para vir ao mundo. Isso, isso, continuem a me discutir. Tornem-me eterno! Tirem-me da vigência da temporalidade. Que o tempo dissolva e eu invicto.

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