Quem quiser
entender, entenda. Não recomendo. Desentenda. Tenha alucinações teatrais. O texto
está aí. Não é pra se levar a sério. O texto vai pra academia. Não é marombeiro.
Mas gosta de se contorcer. O texto deseja flexibilidade, mas também deseja
ficar definido. O texto é contraditório.
O texto pega
no peso. Acha sempre que tá demais. Tá sempre pegando pesado. Por isso faz inúmeras
repetições nunca da mesma forma com a maior leveza possível. O texto quer ficar
esbelto, mas tem sempre umas sobrinhas. Como escapar da tentação de um advérbio
ou adjetivo. Gosta de um pronome gasto às vezes. Outras vezes busca um lugar
pra um termo neófito.
Corre sempre o
seu circuito como se fosse correr mil e quinhentos metros, mas acaba andando
uma maratona. Tenta por mil vezes interromper o percurso, mas não consegue para
por ali. Contorna uma esquina e sente-se um farsante se não mostrar a rua
inteira. Tenta mostrar o impercebível e aí está sua poesia. Não fala do que expressa,
mas do que não relata. Permite o leitor achar seu bar, seu restaurante, sua
mercearia, sua biblioteca no caminho. Abandonar o percurso e ressignificar o
texto segundo o bar, a biblioteca, a boate.
O livro segue
não sendo ele mesmo. Difamado pelos fofoqueiros. E diz falem mal, mas falem de
mim. O autor morre de desgosto. Mas o texto não se importa com o autor, mero
instrumento para vir ao mundo. Isso, isso, continuem a me discutir. Tornem-me
eterno! Tirem-me da vigência da temporalidade. Que o tempo dissolva e eu
invicto.
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