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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Conto de Viktor

 


Viktor com k não era parente de nenhuma Carol. Já tinha investigado. Investigar não era nem de longe sua especialidade. Uma irmã dele nasceu Carolina, mas hoje seu nome é artístico é Fênix do Sertão. Ele que é açougueiro de profissão. É como chamam aqueles que tem versátil manejo de lâminas como a navalha ou a peixeira.

Era constantemente chamado para descarnar um boi ou um bode. Mas de vez em quando também um desafeto. O preço era o mesmo. Baseado no quilo de carne do animal. Todo mundo, inclusive o delegado, compreendia que esse era o afazer dele. Tudo muito profissional. Teve um promotor que quis encrespar com ele, mas o juiz não gostou e pediu um favor a ele.

O juiz, aliás, era o único que podia pedir um favor pra ele. Mas sabia que não podia pedir mais que um. O segundo já tinha que pagar. O delegado também já tinha gasto os favores dele. Era impressionante o corte! Ele sabia separar as carnes com uma destreza impressionante. Filé era completamente filé. A picanha estava completamente separada. Os colchões duro e mole tudo a seu lugar.

Não era barato pagar o serviço. Mas não havia nenhum açougueiro como ele na região. Aliás na cidade não tinha outro. Na capital tinha um monte, mas esses só vendiam carne. Cortavam e desossavam, mas muito mal e de peças já compradas. Na cidade tinha um hospital até razoável para a população dela. Mas no campo quando o medico não chegaria a tempo, era Viktor que cortava. Tirava bala, botava intestino pra dentro, costurava com barbante até algumas coisas.

Carregava uma matula com todas as suas lâminas pra tirar uma lasquinha a qualquer momento necessário. Mas o seu dia-a-dia era muito tranquilo. Pouco precisavam dele. Matar um animal ou dois por semana e já era carne suficiente. Passeava pela rua e tirava sonecas na rede. Quando não era dia de amolar suas lâminas. Aí acordava de madrugada e virava até o outro dia desempenando e afiando.

 Todo dia, menos esse depois da afiação, abria o açougue. Mas era raro o cliente. Não expunha as carnes. Carne só por encomenda e pra uso imediato. Tinha uma salinha frigorifica, mas não armazenava carne mais que três dias. Passado isso, a prefeitura arranjava uma desculpa pra fazer churrasco com a sobra do açougue. Aí nesse caso ele dava um desconto. O preço era só um pouco acima do praticado na capital.

As encomendas de carne por quilo pra Viktor eram no mínimo o dobro do preço praticado na capital. Mas mais do que valia devido o capricho e a precisão dele. Qualquer que fosse o animal a ser sacrificado compensava chamar Viktor. Mesmo um animal armado do que quer que fosse não escaparia dos cortes certeiros dele.

Corta! Corta! Essa era a vida de Viktor. Vamos embora antes que ele mesmo decida cortar. Fui embora... tchau!

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