Viktor com k não era parente de nenhuma Carol.
Já tinha investigado. Investigar não era nem de longe sua especialidade. Uma
irmã dele nasceu Carolina, mas hoje seu nome é artístico é Fênix do Sertão. Ele
que é açougueiro de profissão. É como chamam aqueles que tem versátil manejo de
lâminas como a navalha ou a peixeira.
Era constantemente chamado para descarnar um
boi ou um bode. Mas de vez em quando também um desafeto. O preço era o mesmo.
Baseado no quilo de carne do animal. Todo mundo, inclusive o delegado,
compreendia que esse era o afazer dele. Tudo muito profissional. Teve um
promotor que quis encrespar com ele, mas o juiz não gostou e pediu um favor a
ele.
O juiz, aliás, era o único que podia pedir um
favor pra ele. Mas sabia que não podia pedir mais que um. O segundo já tinha
que pagar. O delegado também já tinha gasto os favores dele. Era impressionante
o corte! Ele sabia separar as carnes com uma destreza impressionante. Filé era
completamente filé. A picanha estava completamente separada. Os colchões duro e
mole tudo a seu lugar.
Não era barato pagar o serviço. Mas não havia
nenhum açougueiro como ele na região. Aliás na cidade não tinha outro. Na
capital tinha um monte, mas esses só vendiam carne. Cortavam e desossavam, mas
muito mal e de peças já compradas. Na cidade tinha um hospital até razoável
para a população dela. Mas no campo quando o medico não chegaria a tempo, era
Viktor que cortava. Tirava bala, botava intestino pra dentro, costurava com
barbante até algumas coisas.
Carregava uma matula com todas as suas lâminas
pra tirar uma lasquinha a qualquer momento necessário. Mas o seu dia-a-dia era
muito tranquilo. Pouco precisavam dele. Matar um animal ou dois por semana e já
era carne suficiente. Passeava pela rua e tirava sonecas na rede. Quando não
era dia de amolar suas lâminas. Aí acordava de madrugada e virava até o outro
dia desempenando e afiando.
Todo
dia, menos esse depois da afiação, abria o açougue. Mas era raro o cliente. Não
expunha as carnes. Carne só por encomenda e pra uso imediato. Tinha uma salinha
frigorifica, mas não armazenava carne mais que três dias. Passado isso, a
prefeitura arranjava uma desculpa pra fazer churrasco com a sobra do açougue.
Aí nesse caso ele dava um desconto. O preço era só um pouco acima do praticado
na capital.
As encomendas de carne por quilo pra Viktor
eram no mínimo o dobro do preço praticado na capital. Mas mais do que valia
devido o capricho e a precisão dele. Qualquer que fosse o animal a ser
sacrificado compensava chamar Viktor. Mesmo um animal armado do que quer que
fosse não escaparia dos cortes certeiros dele.
Corta! Corta! Essa era a vida de Viktor. Vamos
embora antes que ele mesmo decida cortar. Fui embora... tchau!
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