Acompanham

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O Vale

 


Frutificou o vale

A montanha incólume

No caminho incertezas

As dúvidas constroem

As dívidas destroem

Qual é a dívida do investimento?

Dará lucro?

Sem incerteza não há futuro

O presente são as ações

Políticas, não econômicas

É preciso melhorar o mundo

Sem temer a própria sobrevivência

domingo, 18 de janeiro de 2026

Realidade Goiana

 


O passado vitima torcedores e administradores de times. Torcedores do meu time acreditam que ele é grande. Acredito que tem modestas chances de voltar a ser. Mas não é grande há no mínimo 40 anos desde que os estaduais perderam a importância. O rival que esteve na Série A por mais tempo no estado talvez tenha se tornado o mais problemático da capital por acreditar ter a potencia que há muito tempo não tem e viver de ilusões gastando dinheiro que ainda tem, mas deve deixar de ter pelo custo/benefício muito alto. Enquanto isso o time que competia com um quarto para não ser o mais insignificante da capital hoje é o que tem mais possibilidade de sonhar com a primeira divisão por não investir abusadamente e tentar fazer mais om menos só que com mais dinheiro que o meu time do coração.

Os times tem que ter consciência de seu tamanho. Esquecer imprensa e torcedores. Tentar ser maiores amanhã do que são hoje.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Dedicatória

 Essa vai ser a dedicatória do meu livrinho em fevereiro:

Dedico este livro a minha professora em Bom Jardim de Minas onde me alfabetizei. Aos professores Alcides Nascimento e Edna Lúcia que me ensinaram a escrever. E, por fim às minhas sobrinhas Júlia e Luísa que inspiraram meu uso da imaginação alongada.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Conto de Yasmin


 

Quem lê Yasmin pensa provavelmente numa sereia ou princesa. Se pensarmos em beleza, de fato. Mas se pensarmos em fome... a moça comia como uma ogra daquelas de desenho infantil. Que metabolismo!

Todo dia chegava cedinho na praia. Umas quatro e meia. Aproveitava para ajudar a recolher as redes e as mesas. Das redes de pesca, ganhava um peixe ou outro pra mais tarde. Das mesas, juntava o orgânico pro seu biodigestor. E assim lá pras cinco, cinco e meia começava a arrumar sua barraca na praia.

Às seis já começava algum movimento. Assim que as outras barracas abriam, fechava a sua. Só abriria oito horas. Passava de barraca em barraca pra comer algum petisco, saber o que fariam no dia, que novidades. Tinha perna e barriga pra andar toda a praia. As duas, aliás muito bem torneadas.

Umas sete e meia voltava. Fazia correndo apoios e abdominais pra correr bem o dia. Oito horas sua barraca estava aberta. Os primeiros visitantes preferiam beber algum drink, uma água de coco. Já começava a preparar os peixes que havia ganhado pra fazer isca. Partia os cocos pra tirar a castanha pra usar mais tarde.

Não era a única barraca a fechar na hora do almoço. Mas, provavelmente era a única com alguém dentro. Usava a hora do almoço pra fazer a cocada baiana que aprendeu numa viagem ao Espirito Santo. Só iria vender a cocada de tardezinha quando os turistas saiam da praia. A maioria pela entrada principal e no caminho passavam pela mini choupana dela.

De tarde, vendia isca de peixe-frito, peixe no molho, batatas e mandiocas fritas e buchada. Mas o que mais vendia eram cervejas. O caminhão tinha que entregar no deposito comum da praia umas três vezes ao dia. Os barraqueiros tinham que se organizar pra descarregar o caminhão.

Antigamente era cada um pra si, mas desde que Yasmin ficou órfã do pai eles tiveram meio que adotar a criança/adolescente. A mãe morreu no nascimento dela. A necessidade de ajudar Yasmin fez o perceber que cooperando a praia era melhor. Então há uns dez anos formaram uma espécie de cooperativa. Compram as bebidas em conjunto. Até melhorias na praia discutem e fazem em conjunto. Fazem empréstimo uns aos outros com juros bem lucrativos, mas muito inferiores aos dos bancos.

Todos cuidaram de Yasmin. Agora Yasmin cuidava deles. Era uma espécie de prefeita da praia. Fez acordo com os pescadores determinando horários para a pesca e para abertura da praia às barracas e aos visitantes. Conseguiu até organizar os pescadores que montaram sua própria cooperativa e agora até barcos novos eles compram pra pescar em conjunto e tem fundo pra época da piracema.

Assim de deixada na praia, Yasmin se tornou a rainha da praia. Com direito a comer o que quisesse e o quanto desejasse em cada quiosque da praia. O que ela valorizava bastante pra compensar sua correria diária. Pensaram em colocar uma estatua de sereia estilizando Yasmin na entrada da praia. Mas Yasmin é a prefeita da praia e ela vetou. “A praia é de rio! As sereias vivem no mar”, decretou ela. É... melhor terminar aqui.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Existir

 


Se houvesse um amanhã, lá estaria. Não como condição, mas como contingência. Não por existir somente, mas pela obrigação de permanecer algo que se remeta a mim. Existir como mutante não permite coerência. Não podes ignorar a história e achar a escravidão natural. O tempo muda. As condições mudam. O meio muda. As pessoas tem saudade de uma mentira autocriada. O mundo caminha para uma liberdade e as pessoas morrem de medo de serem livres. São vitimadas pela modernidade tardia. A responsabilidade de escolher pesa por comodismo ou irresponsabilidade. E tá tudo bem. Mas é bom lembrar que o escravismo não foi bom pra todos. Foi bom só pra quem manda até hoje.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Bom dia!

 


Se tivesse nascido seria ali. Se tivesse que morrer não seria lá. Entre alis e acolás sobreviveu á vida. Mas nada poderia o proteger da providencia. Nem mesmo a previdência. Cautela nenhuma poderia o preparar para os acontecimentos.  A realidade é o que é. Nenhuma outra coisa. Viveu e morreu. O resto não interessa. É só uma travessa entre um e outro. Aqui e acolá. Meu ovo frito dentro do pão e o café na xícara. Tudo colhido, frito ou torrado. A a cafeeira e a galinha em luto. Eu pelejando pra começar o dia. É o que é. Bom dia!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Conto do Xande

 


Xande jogava peteca em casa e pinball na praia. Seu nome mesmo era Alexandresco, mas todo mundo chamava de Xande. Menos seu finado pai quando estava bravo. O pai não tinha morrido ainda. Finado era como sua mãe chamava o ex-marido. Aliás os ex-maridos. Xande era o mais velho. Dos filhos de Dona Maria Rosa e dos habitantes daquela cidade. Muita gente já tinha ido embora muito mais novo.

Diz a lenda que muitos aproveitaram de nascer na maternidade que era numa cidade próxima pra já ficar por lá. Dizem que o pessoal lá aprende a nadar cedo, o que parece ser verdade. Pra atravessar o Rio do Sono e fugir da cidade, o que é um fato controverso. Os anciões da cidade se dividem quanto a veracidade ou não dessas lendas. Xande tinha quase trinta. Era um dos habitantes mais velhos da cidade, tirando os anciões quarentões e cinquentões que já tinham perdido toda a oportunidade na vida e se acomodariam por lá.

A cidade vivia de desesperança. Vez por outra alguém plantava alguma coisa, cuidava de um animal pra ver se vendia. Às vezes dava certo. Mas era talvez melhor nem ter dado certo dado o prejuízo obtido. Tudo tinha que buscar longe e comprar de quem já havia comprado de outro. Era fácil cuidar das coisas e os vizinhos até ajudavam. O que complicava mais porque pra ser certo tinha que dar uma parte pra eles.

O certo mesmo era eles fazer mutirão de extrativismo. Procurar frutas e cocos e dividir entre eles. Organizar de cuidar das trilhas, das arvores, xaxins e palmeiras. Vez por outra caçar um animal silvestre pra ter carne e salgar pra durar bom tempo porque só pode caçar ás vezes. De qualquer forma, na praia tinha um fliperama que a prefeitura colocou pra ver se dá tempo de convencer ou prender o adolescente antes dele fugir pelo rio.

No quintal ou varanda de casa Xande brincava de peteca com as crianças. Isso quando não estava consertando as casas da cidade. Reforçando a calagem das paredes. Refazendo as palhas do telhado. Trocando os caibros. Xande não sabia se já estava condenado ou ainda era tempo de fugir. Se fugisse ia virar lenda. De longe o cara mais velho a fugir da cidade. Inventariam que ele deixou as muletas pra entrar no rio. Floreamento. Ele andava muito bem. Nunca precisou de apoio.

Se ficasse seria algo estranho nos últimos tempos, mas não no passado. Muita gente foi ficando e quando percebeu já era um idoso de quarenta, cinquenta anos naquela cidade. Xande não sabia ao certo que tipo era ele. E ninguém sabia pra lhe contar. Os que ficaram, se deixaram e se perderam numa outra época, num passado idílico. Os que fugiram eram de fugir daquele chove não molha. Xande não tinha ideia, nem modelo pra saber de que tipo era.

Acho que era do tipo que fica...

confuso.

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...