Acompanham

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Boa Noite



O carro foi

Puxado por bois

Calcando o solo

Solidificando a terra úmida

Rangendo o grande arco

A amortecer o vai e vem do solo

Feito chão, feito céu

Como uma carruagem

No fogo a distribuir baldes

Pra salvar minha plantação de boa noite

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Campeonato

Me dá o título disse o Doutor

Me dá o título disse o técnico

Disse o torcedor

Nada de título

Nada de vitória

Nada de público

Uma Associação

Clube de Regatas

Sociedade Esportiva

Naútico

Operário

Todos em comum

Só vence um

O resto frustra

Sem título

Nem titular

Só reserva

Para o próximo ano

Novo sofrimento

domingo, 2 de novembro de 2025

Churrasco

Queria um cavalo branco

Tão cinza quanto o de Napoleão

E uma vaca malhada

Com horas de supino

 

Mas eu tenho um bode

No meio da sala

Ele não muge

Não é vaca

 

Carneiros toda noite eu conto

Senhor Bode, não és um carneiro

Tampouco ovelha

És um empecilho na sala

 

Contarei isto a mim mesmo

Ou me convencerei de que o bode

Não existe

O bode é criação da minha cabeça

Ou do sitio vizinho

 

Haja abobora pra tanto bode

Prefiro dançar nu

A quinta sinfonia de Schubert

Ou pisar no lamaçal

 

Onde eu queria chegar?

Não importa! Já cheguei

E o bode atrevido está lá

Hoje tem churrasco de bode?

sábado, 1 de novembro de 2025

Dissenso

Araram a terra

Arara a terna

Ara! A perna

 

Pingou o pingo

Moeu o moinho

Eu já me vou

 

A perna arou

O pingo se foi

E eu com isso?

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Conto de Kaique

 


Quem era Kaique? Sei lá? Me mandaram contar a história. Tinha ele um caiaque? Seria o Kaique do Caiaque? Não sei. Só sei que me deram essa ingrata tarefa. Se brincar é um desses vereadores eleitos pela balsa do Espirito Santo. Um funcionário do Pedro Iram (PIPES) ou um dos vendedores das bordas.

Bom... tem duas chances maiores: Palmas ou Tocantinópolis. Ou sei lá, era de Lajeado mesmo. Não importa. Com esse nome duvido que fosse apenas um vereador. Deve ter sido deputado estadual ou até federal. Senador ainda não. Não duvido no futuro ter um Leozinho do Jet-ski, mas hoje ainda não cabe.

Não me informaram nada desse Kaique. Será que tem sigilo nessa investigação? Vou procurar um promotor pra ver se abre pra mim as informações. Se não der certo, vou ter que procurar um juiz. Mas se o diabo do Kaique for o procurador ou juiz? Ah! É melhor eu inventar a história. Depois o editor transforma a história na que ele quiser.

O nosso tão famoso e benquisto Kaique nasceu em uma cidade da região norte. É a maior e a menos povoada do país. Provavelmente no Tocantins ou em algum estado que faz divisa com o Tocantins. Se for assim tem mais chance de ser do Nordeste ou do Centroeste. Da região norte só o Pará faz divisa com o Tocantins. Do Nordeste, Bahia, Piauí e Maranhão. Do Centroeste, Goiás e Mato Grosso.

Como eu sou o narrador e me interessa coloca-lo como natural de Porto Alegre do Tocantins, cidade onde fica o projeto de irrigação Manoel Alves, vai ficar assim. Vai ter que comer muito abacaxi, melancia e manga na infância. Laranja, limão e mixirica também. Sorte dele! Hoje se fosse lá só iria comer ração de porco, digo soja e gramíneas como o milho. Teria sorte se chupasse uma cana restante em alguma plantação. As frutas? Essas desapareceram.

Certamente muito cedo migrou para Natividade, Porto Nacional ou Palmas. Ou para Porto Nacional e de lá pra Palmas. Com vias futuras de migrar para o outro lado do rio, quer dizer, novamente Porto Nacional se a região não se emancipar. Por sua afinidade com a agua certamente deve trabalhar numa náutica ou na marinha. Ou seja, ou regula a ocupação das margens do lago do Lajeado ou vende motos náuticas, jet skis, caiaques e lanchas.

Talvez até plante coqueiros nas margens do rio para lembrar da feliz infância no Manoel Alves. Se plantar coqueiros, podia me arranjar uns cocos. Ficaria feliz de terminar essa história bebendo uma água de coco. Mas sei que não vai dar então tchau! Fim. Caba logo, sô!

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Depositei o voto na urna



Era uma vez

Era outra vez

A mesma

Com sinal trocado


A mesma epifania

Os mesmos personagens

Conto de fadas

Historinha pra dormir


Inventaram mitos

Tiraram todo heroísmo de si

Botaram num João-bobo de posto

Posto assim sem nenhum remendo


E a política que cada um devia fazer

Ficou na cozinha cozinhando o galo

Na espera por milagre sem fazer sua parte

Depositei o voto na urna

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Presente

Virei a esquina

Olhos à frente

Vejo novos cenários

Mas a rua antiga...

Está na minha mente

As boas lembranças...

As más esqueci

À frente bancas de revista

Restaurantes, bares

Lembro da velha mercearia

Piso em rua asfaltada

Mas meus pés não se esquecem

Da melada lama que os abrangia

Da grama que os acariciava

Dobrei a esquina

Mas não me dobrei

Memória no passado

Aspirações no futuro

Vida no presente

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...