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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Três conceitos - três recortes - dois autores fundamentais sobre Política


 

A) Hannah Arendt

“A Condição Humana (The Human Condition), publicada em 1958, pretendia, portanto, com base numa antropologia filosófica, responder à pergunta que fora deixada sem resposta em Origens do Totalitarismo: em que condições um universo não totalitário é possível? A análise toma por objeto a vita activa (vida ativa em oposição ao que a filosofia tradicional chamada de vida contemplativa), e a vê segundo três modalidades fundamentais: trabalho, obra e ação. Tomado no processo biológico das necessidades e da sua satisfação, o trabalho é uma atividade indefinidamente repetitiva, voltada para a satisfação das necessidades vitais: só produz o que é perecível. É à obra que cabe produzir coisas duráveis, artefatos e objetos que não sejam aniquilados assim que consumidos. Mas essa durabilidade é ainda relativa e está submetida, em ultima instância, à utilidade e ao ciclo dos meios e dos fins. Resta, pois, a ação única capaz de transcender o ciclo da necessidade vital e da cadeia infinita dos meios e dos fins. Inseparável da palavra, a ação é revelação do quem num espaço público de surgimento em que cada um é visto e ouvido por outros. Embora não seja privilégio apenas do ator político (no sentido estrito do termo), a ação enseja a constituição de um espaço público – distinto do domínio privado – em que se estende a rede das relações humanas. A condição humana de pluralidade, correlata da ação e da palavra, é para Arendt um verdadeiro conceito fundador que se encontra em todas as etapas de sua análise. (...) Mas toda a dificuldade é que a ação que nos insere no mundo não tem outra validação além do seu próprio aparecer. Não deixando atrás de si – como já sabiam os gregos – nenhum produto fabricado, introduzindo os homens num tecido de relações que eles não dominam, a ação é eminentemente frágil, seus resultados são imprevisíveis e não podem ser desfeitos”. (HUISMAN, 2001, p.60 e 61)

 

B) Aristóteles

“O termo ‘política’ é essencial. Vem do grego polis, ‘cidade’, ou ainda ‘Estado’. ‘Política’ é a possibilidade de civilizar, abrandar os costumes do Estado através de instituições, da cultura. O Estado é sem dúvida a forma mais elaborada da sociedade: só ele tem por finalidade a ‘vida bem-aventurada’ dos homens livres. Verdadeiro ‘animal político’, o homem não pode, sozinho ou no seio de uma família ou de uma aldeia, assumir ou realizar seus desejos e aspirações de modo satisfatório; também não pode atingir essa perfeição à qual chega o Estado: este vale em si mesmo e por si mesmo”. (HUISMAN, 2000, p.434 e 435)

 

C) Habermas

“As ações humanas (quando orientadas para o sucesso) têm como mediação o dinheiro (economia) e o poder (Estado). Mas o universo da intercompreensão tem como mediação os ‘atos de fala’. (...) A ação comunicativa remete às interações mediadas pela linguagem, em que, retomando a expressão de Habermas, ‘todos os participantes, por ações de linguagem, perseguem (...) para obterem um acordo que propicie fundamento para uma coordenação consensual dos planos de ação perseguidos individualmente’”. (HUISMAN, 2000, p.524)

terça-feira, 3 de junho de 2025

Sociabilidade

Hoje não!

Não quero esquecer do nada!

Um niilismo gigante habitaria minha vida.

Vamos ignorar a inocência

Todos somos culpados de lembrar

Presos em nossa consciência

Na desvalorização de nossos erros

Exacerbação dos acertos

Bem na mosca

Uma mosca varejeira cochicha

Em nossos ouvidos zunidos

Perdemos todo o resto

Perdemos tudo

Em nosso hiperfoco

Tudo que nos circunda

Inexiste

É desimportante

Estamos alienados por nós mesmos

Anestesiados da dor que criamos

Livres da dor e delícia de viver

Apocalipse não veio

Mas o mundo acabou

Só nos sobrou nós

E eu estou dizendo eu

E outro eu

Não eu mais outro eu

Eu me amo amor

Me amo em você

Só me importa o que sinto por você

Você? Você não importa.

Três fotos

Vou-não vou

Parece um passo de forró

Seria num ritmo lento

A indecisão de uma valsa vienense

 

Será a conjuntura

A grande mobilidade do cós

Seria o vai e vem

De uma contenda

Oposição democrática

Uma linda demagogia

 

Será tão somente cinema

Cliques encadeados

Falso movimento

Balé aéreo?

Uma flatulência?

(Estaremos salvos da impressão?)

Há movimento?

Ou tudo no limite é um click

(Ai de mim sem memória fotográfica!)

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Iluminismo revelador

As luzes das estrelas me queimam

Corro pela rua nas noites de lua nova

Uivo de dor na crescente

Me benfazejo da minguante

Arrega o sol todo dia

Me cegando todo o dia

Como hibernar no inverno

Quando a caverna está sobrecarregada

Pintaram de leds as paredes

Malditas cidades a iluminar

O que deveria ser ausência

A impedir o vazio

Destruir o culto ao nada

Oprimir o niilismo

(Maldito dia!!!)

domingo, 1 de junho de 2025

Intervalo

Sair sem destino é conhecer o universo

Apreciar a paisagem é viver

Observar seu lugar no mundo

É se pertencer

Dialogar é pertencer a vila

Mover-se

É participar do mundo

Mover o universo

Conhecido

Reconhecer e reconfigurar

Seus limites

Mover o peão

Consolidar a jogada

As torres, monarcas e bispos

Por ora são meras paisagens

Um xeque-mate

Encerraria o jogo

(Quem quer morrer agora?)

Desfrutar da cidade é viver

O presente é a dádiva

(porque recusá-la?)

Vivamos por ora

(a hora há de chegar)

sábado, 31 de maio de 2025

Passionalidade esportiva

Premiar minha derrota

É assim que vejo o troféu

Vencer não me acrescenta nada

Tão pouco tira

Minha paz

Perpetua

Essa ficção kantiana

Que ecoa em meus ouvidos

Dilacerando o paciente olhar

Para o imaginário horizonte

Um fim do mundo sem cor

Colore minha imaginação

Ofusca meus desejos

Tranquilo sigo

No costumeiro desespero

A maré

Não bole minha paz

Mas me afoga em afagos

Sinto uma onda vindo

(Cheirei ou fumei o Vila Nova?)

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Integrado

Em meio ao nada cá estou

Envolto em uma multidão de afeições

Contraditórias, porém construtivas

Um sistema inteiro de contradições

Um prisma completo

Em seus incontáveis ângulos

Tão complexos quanto

Cabem a uma individualidade

Imersa a moda de ser diferente

Pra não se diferenciar do resto

Ser aceito por todos

Como um mesmo

Dentro da regra de ser individuo

Particularmente um sujeito

Sujeito a todas as regras

Que o garantem como mais um

Aceito, integrado no mesmo sistema

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...