A) Hannah Arendt
“A Condição Humana (The Human
Condition), publicada em 1958, pretendia, portanto, com base numa antropologia
filosófica, responder à pergunta que fora deixada sem resposta em Origens do
Totalitarismo: em que condições um universo não totalitário é possível? A
análise toma por objeto a vita activa (vida ativa em oposição ao que a
filosofia tradicional chamada de vida contemplativa), e a vê segundo três
modalidades fundamentais: trabalho, obra e ação. Tomado no processo biológico
das necessidades e da sua satisfação, o trabalho é uma atividade indefinidamente
repetitiva, voltada para a satisfação das necessidades vitais: só produz o que
é perecível. É à obra que cabe produzir coisas duráveis, artefatos e objetos
que não sejam aniquilados assim que consumidos. Mas essa durabilidade é ainda
relativa e está submetida, em ultima instância, à utilidade e ao ciclo dos
meios e dos fins. Resta, pois, a ação única capaz de transcender o ciclo da
necessidade vital e da cadeia infinita dos meios e dos fins. Inseparável da
palavra, a ação é revelação do quem num espaço público de surgimento em que
cada um é visto e ouvido por outros. Embora não seja privilégio apenas do ator
político (no sentido estrito do termo), a ação enseja a constituição de um
espaço público – distinto do domínio privado – em que se estende a rede das
relações humanas. A condição humana de pluralidade, correlata da ação e da
palavra, é para Arendt um verdadeiro conceito fundador que se encontra em todas
as etapas de sua análise. (...) Mas toda a dificuldade é que a ação que nos
insere no mundo não tem outra validação além do seu próprio aparecer. Não
deixando atrás de si – como já sabiam os gregos – nenhum produto fabricado,
introduzindo os homens num tecido de relações que eles não dominam, a ação é
eminentemente frágil, seus resultados são imprevisíveis e não podem ser
desfeitos”. (HUISMAN, 2001, p.60 e 61)
B) Aristóteles
“O termo ‘política’ é
essencial. Vem do grego polis, ‘cidade’, ou ainda ‘Estado’. ‘Política’ é a
possibilidade de civilizar, abrandar os costumes do Estado através de
instituições, da cultura. O Estado é sem dúvida a forma mais elaborada da
sociedade: só ele tem por finalidade a ‘vida bem-aventurada’ dos homens livres.
Verdadeiro ‘animal político’, o homem não pode, sozinho ou no seio de uma
família ou de uma aldeia, assumir ou realizar seus desejos e aspirações de modo
satisfatório; também não pode atingir essa perfeição à qual chega o Estado:
este vale em si mesmo e por si mesmo”. (HUISMAN, 2000, p.434 e 435)
C) Habermas
“As ações humanas (quando
orientadas para o sucesso) têm como mediação o dinheiro (economia) e o poder
(Estado). Mas o universo da intercompreensão tem como mediação os ‘atos de
fala’. (...) A ação comunicativa remete às interações mediadas pela linguagem,
em que, retomando a expressão de Habermas, ‘todos os participantes, por ações
de linguagem, perseguem (...) para obterem um acordo que propicie fundamento
para uma coordenação consensual dos planos de ação perseguidos
individualmente’”. (HUISMAN, 2000, p.524)
Nenhum comentário:
Postar um comentário