Sentado no banquinho ficou. Pretendia sorver a água da cabaça com uma
lentidão homérica, como quem se afoga com gotas. Tinha percorrido quilômetros sem
descansar entre Maranhão, Tocantins e Pará. Atravessou cerca de doze cidades no
caminho e viu dois biomas e e um sub-bioma: mata dos cocais, cerrado e amazônico.
Chegou onde em poucos passos atravessaria pro Mato Grosso ou para o Amazonas.
Ficou ali esperando uma van para voltar ao bico do papagaio. Estava acostumado
a cruzar fronteiras. Morava num lugar onde em cinquenta ou sessenta quilômetros
pode passar por três ou quatro municípios. Vinte quilômetros bastam para passar
por três municípios. Esse era o conceito de interdependência: nenhum município vivia
sozinho. A indústria, o comercio e mesmo a administração publica não subsiste
sem essa interrelação.
Cidades dependiam das outras desrespeitando fronteiras municipais ou
estaduais. Cidades fronteiriças de estados diferentes estados muitas vezes eram
mais ligadas entre si que cidades do mesmo estado, mesmo vizinhas. Desse modo
foi criado um circuito, embora muitas pessoas andem pouco, em que as pessoas circulam
constantemente entre vários municípios trabalhando como uma aranha a traçar
redes.
Essa interdependência faz com cada município se torne uma parte de uma
grande indústria e o produto necessite de circular para ter todas as partes,
ser completo o quanto pode ser. Isso liga as regiões, os municípios, as
pessoas. Todos são relacionalmente necessários. A mundialização recebe muitos empecilhos
atualmente, mas essa e outras regiões são a prova de que o mundo pode ser um e
limites não precisam ser valas ou muros.
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