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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Àgua de cachoeira

 


Queria não estar ali. Desejava a estabilidade da estrada. Ousava sonhar com o som do silencio. Meditava cada passo dado. Desejava em cada espasmo um descanso. Era afligido por novas duvidas toda vez que não refletia um novo conhecimento. De modo que quando não tinha algo novo pra pensar o novo nascia.

Alguns chamariam isso de história. Ele denominava de tormento. Alguns poucos pensadores de vida ativa. A maioria de ócio, de vida meditativa. Ele malhava sua mente com maior fervor que qualquer bodybulding desses habituais. Alimentava o seu pensar com disciplina e compasso. Lia compassadamente e ordenadamente os livros conforme os entrelaços que foi encontrando. Juntando referência a referencia foi solidificando as suas.

La estava ele sentado num bar depois de ter descarregado os vagões do dia no porto seco. Seis horas contiguas sem descanso. Breves pausas para beber a água do cantil amarrado â cintura. Tomava suas duas doses da branquinha para ir para casa pensar no escuro por pelo menos quatro horas até dormir.

De manhã tinha seu prêmio. Comeria suas frutas, seus cereais como trigo, arroz e milho. Uma xícara lotada de café. Ainda faria algum alongamento antes de caminhar até o porto antes do sol sair. No porto repetitivos movimentos como se fosse uma maquina de descarregar ou uma linha de montagem. Entendia perfeitamente aquele taylorismo. Pensar era sua fuga daquela ordem toda. Seu pensamento era como água de cachoeira a contornar as pedras para fluir.

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