Queria não estar ali. Desejava a estabilidade da estrada. Ousava sonhar com
o som do silencio. Meditava cada passo dado. Desejava em cada espasmo um
descanso. Era afligido por novas duvidas toda vez que não refletia um novo
conhecimento. De modo que quando não tinha algo novo pra pensar o novo nascia.
Alguns chamariam isso de história. Ele denominava de tormento. Alguns
poucos pensadores de vida ativa. A maioria de ócio, de vida meditativa. Ele malhava
sua mente com maior fervor que qualquer bodybulding desses habituais. Alimentava
o seu pensar com disciplina e compasso. Lia compassadamente e ordenadamente os
livros conforme os entrelaços que foi encontrando. Juntando referência a
referencia foi solidificando as suas.
La estava ele sentado num bar depois de ter descarregado os vagões do dia
no porto seco. Seis horas contiguas sem descanso. Breves pausas para beber a água
do cantil amarrado â cintura. Tomava suas duas doses da branquinha para ir para
casa pensar no escuro por pelo menos quatro horas até dormir.
De manhã tinha seu prêmio. Comeria suas frutas, seus cereais como trigo,
arroz e milho. Uma xícara lotada de café. Ainda faria algum alongamento antes
de caminhar até o porto antes do sol sair. No porto repetitivos movimentos como
se fosse uma maquina de descarregar ou uma linha de montagem. Entendia perfeitamente
aquele taylorismo. Pensar era sua fuga daquela ordem toda. Seu pensamento era
como água de cachoeira a contornar as pedras para fluir.
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