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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Sedentário em exercício

 


Pesou a mão na pedra, pesou na perda de tranquilidade. Caminhava por aí como quem desejava parar a qualquer momento. Não seria uma pausa, um descanso. Mas um destino, algo permanente. Armaria uma rede em dois coqueiros e dos cocos caídos beberia a agua. Não morava perto da praia ou de uma plantação de coqueiros.

Morava numa conurbação de várias cidades. Fora das cidades, o cerrado, pouca mata. Sempre que podia escalava os pirineus. Escalou uma vez quando pode ir a França. Como não podia, subia e descia as ladeiras de Pirenópolis. Sempre ficava amargurado e feliz após suas longas caminhadas. Amargurado pela perda de tempo e feliz pela reação química provocada inadvertidamente pelo exercício.

Também ampliava a felicidade poder parar e beber água de coco ou garapa antes de caminhar pra casa onde encontraria problemas e soluções. Mas soluções do que problemas porque seus quebra-cabeças de três mil, cinco mil, dez mil peças estavam quase todos montados. Passava horas do dia em frente a um homebroker comprando e vendendo ações e moedas. Especulando sobre o filme que veria a noite de dormir.

 Se tivesse tempo abriria a academia mais cedo pra treinar bastante as pernas e só o necessário os braços. Tomar um café na padaria da esquina antes de chegar em casa. A velha média com pão com manteiga na chapa. Talvez algum pão de queijo. Assim passava o tempo sobre ele aumentando sua segurança e decrescendo sua vitalidade. Não que não tivesse noção do tempo, mas se auto-enganava.

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