Pesou a mão na pedra, pesou na perda de tranquilidade. Caminhava por aí
como quem desejava parar a qualquer momento. Não seria uma pausa, um descanso. Mas
um destino, algo permanente. Armaria uma rede em dois coqueiros e dos cocos caídos
beberia a agua. Não morava perto da praia ou de uma plantação de coqueiros.
Morava numa conurbação de várias cidades. Fora das cidades, o cerrado,
pouca mata. Sempre que podia escalava os pirineus. Escalou uma vez quando pode
ir a França. Como não podia, subia e descia as ladeiras de Pirenópolis. Sempre ficava
amargurado e feliz após suas longas caminhadas. Amargurado pela perda de tempo
e feliz pela reação química provocada inadvertidamente pelo exercício.
Também ampliava a felicidade poder parar e beber água de coco ou garapa
antes de caminhar pra casa onde encontraria problemas e soluções. Mas soluções
do que problemas porque seus quebra-cabeças de três mil, cinco mil, dez mil
peças estavam quase todos montados. Passava horas do dia em frente a um
homebroker comprando e vendendo ações e moedas. Especulando sobre o filme que
veria a noite de dormir.
Se tivesse tempo abriria a
academia mais cedo pra treinar bastante as pernas e só o necessário os braços. Tomar
um café na padaria da esquina antes de chegar em casa. A velha média com pão
com manteiga na chapa. Talvez algum pão de queijo. Assim passava o tempo sobre
ele aumentando sua segurança e decrescendo sua vitalidade. Não que não tivesse
noção do tempo, mas se auto-enganava.
Nenhum comentário:
Postar um comentário