Acompanham

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Fanatismo



Nascera na maternidade modelo nas idas dos anos noventa. Naquela maternidade perto do Lago das Rosas. Não nasceu dotado de muitos fios de cabelos quase não chorou pra desespero dos médicos e dos pais. Quem chorava era uma menina cheia de cabelos. Nunca tinham visto um bebê nascer com tantos fios de cabelo. Nunca tinham ouvido também um bebe chorar tanto, tão alto e initerruptamente. Era um desespero. Nem por dó do bebê, mas por pena do ouvido dos que estavam por aí.

Tiveram que experimentar inúmeras soluções incomuns quando as soluções normais como incubadoras, banhos de sol, uma série de testes que nada revelavam não interrompiam a constante lamúria. A solução foi colocar pele a pele a bebê para sentir o calor de outro bebê. Uma ideia ridícula, mas que ao colocar aqueles dois bebes juntos instantaneamente deu paz ao hospital.

O bebê masculino o qual desconfiaram inicialmente que era mudo ou surdo-mudo não se afligia com a situação. Alias aparentemente não se importava com nada. A bebê não queria sair de lá. Toda saída pra fazer um exame ou qualquer outra coisa era um pampeiro. Assim foram os quinze dias passados no hospital. Depois por quinze ou dezesseis anos cada um viveu a sua vida sem se encontrarem em nenhum momento. Ou pelo menos nunca notaram a presença do outro.

Se reencontraram no cursinho pré-vestibular sem se recordarem um do outro quando bebê. Foi paixão à primeira vista do rapaz pela moça. A moça, encantadora, estava focada em chamar a atenção não notou a atenção em particular do rapaz. Havia tantos rapazes naquela sala com o coração ou outras coisas pulsando por ela. A moça era muito vaidosa, mas isso não queria dizer que ela não cultivava outros valores. Era uma estudante muito esforçada e devido a isto tinha excelentes notas. 

Ela gostava de se destacar no ambiente, mas as pessoas a notavam porque queriam. Ela não podia obrigar ninguém a observá-la, muito menos deseja-la, o qual nem passava por sua cabeça. O rapaz era cônscio de tudo isso. Também não desejava ter tanta concorrência. Pior ainda: tinha certeza que não tinha a menor chance com ela. Mas desde que a viu, ela virou sua monomania, sua religião da qual era fundamentalista e fanático.

Ele fez psicologia. Ela fez medicina. Ela se especializou em psiquiatria. Ele em epistemologia filosófica. Se encontraram várias vezes por aí e até ficaram várias vezes, mas nunca mais que quinze dias. Segundo ele, porque ela é demais pra ele. Ele nunca mereceu, nem merecerá ela. Segundo ela, que por mais que ele seduza maravilhosamente. Ele é um chato de galochas.    

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...