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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Conto do Wilian


 

Dizem que Wilian nasceu bretão, quer dizer pobretão. Com essa nobreza toda só podia ter nascido em Filadelfia. Cidade coladinha em Estados Unidos do Maranhão, perto de Carolina e Nova Yorque. O nome do estado já não é mais esse. Nem era quando o bretão nasceu.

Na escola de futebol, o chamavam o príncipe por seu jeito de jogar parecer levemente com o do Ademir da Guia, do qual o dono da escola era muito fã. Jogou junto com Marlone esse ícone que conseguiu jogar em clubes grandes como Vasco e Corinthians. Ele que jogava com muito mais classe não foi pra frente. Era estrela das peladas no bico do papagaio. Ganhava um bom dinheiro com contratos pra jogar semifinais e finais de torneios municipais.

Fez muita fama deixando os marcadores no chão pelos campinhos de Augustinópolis, Tocantinópolis, Praia Norte e Sampaio, dentre outras. Mas suas habilidades não bastavam nem pra jogar nos times regionais. Tentou o Tocantinópolis e o Imperatriz, mas não vingou.

O que mais rendeu mesmo foi seu oficio de motorista de van. Fazia viagens por aquele bico todo. Precisava deixar e carregar gente a cada 20 quilômetros, até menos. É uma cidade colada na outra. De Darcinópolis a Esperantina, passando por Augustinópolis e Tocantinópolis nem sabia que centena de cidades passava e quantas dezenas parava. É desgastante, mas dava pra ir e voltar todo dia. Até tomar uma pinga com murici no final do dia.

Ainda bem que entre um município e outro não tinha porteira pra abrir porque se tivesse era mais que dia. Se tivesse que cumprimentar todos os prefeitos das cidades pelo caminho era coisa pra semana. Isso porque limitaram a criação de cidades senão cada fazenda era uma nova cidade.

Cada dia fazia uma rota diferente. As que mais fazia eram entre Sampaio, Tocantinópolis e Augustinópolis. E destas para Araguaína. Geralmente estava de tarde em casa com folga. Nos dias de pelada em que lhe pagavam um dinheirinho pra ajudar a vencer uma taça nem pegava no volante. Quer dizer no da van. Não tinha dó de volante, meia, zagueiro ou lateral. Mas gostava mesmo era de humilhar atacante metido a besta.

Wilian era a fina flor do futebol segundo o dono da escolinha. Jogava futebol com nobreza. Mas não fugia de confusão não. Nenhum jogador lhe intimidava. Não tinha medo de pegar no volante seja pra dirigir ou para o derrubar. Era muito alegre fazendo o que fazia. Não via presente melhor. Futuro? Jogador não tem futuro, dizia.

É isso! Perdoe Wilian, mas até mentira tem limite! Até a próxima...

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