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domingo, 8 de junho de 2025

Almoço

Já me agradei de diversas coisas

Inúmeras coisas me cativaram

Cultivei incontáveis gostos

Nada me temperou

Não que seja insipida

A vida

O que tem gosto é a morte

Sangra em meu prato

O arroz de sequeiro já não tem água

O churrasco ao ponto

Está bem passado

Perto do que chegou

Já se passaram dez minutos

Mal passado já está presente

O futuro? Quem dirá?

Um digestivo talvez evite

A congestão? Indigestão?

Quem sabe um vinho

Ou dois?

E esqueçamos tudo

Um passo a frente no futuro

Um segundo a menos

Para a próxima morte

Será o ser imortal

O ter não é

E o crer?

É infinito e momentâneo

Maldita memória

Esqueça mais essa

E a amnesia nos salva

Permite viver a vida

Permite o presente

(Até o próximo almoço!)

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