Já me agradei de diversas coisas
Inúmeras coisas me cativaram
Cultivei incontáveis gostos
Nada me temperou
Não que seja insipida
A vida
O que tem gosto é a morte
Sangra em meu prato
O arroz de sequeiro já não tem água
O churrasco ao ponto
Está bem passado
Perto do que chegou
Já se passaram dez minutos
Mal passado já está presente
O futuro? Quem dirá?
Um digestivo talvez evite
A congestão? Indigestão?
Quem sabe um vinho
Ou dois?
E esqueçamos tudo
Um passo a frente no futuro
Um segundo a menos
Para a próxima morte
Será o ser imortal
O ter não é
E o crer?
É infinito e momentâneo
Maldita memória
Esqueça mais essa
E a amnesia nos salva
Permite viver a vida
Permite o presente
(Até o próximo almoço!)
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