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terça-feira, 1 de julho de 2025

Posto

Me perdi no meio do caminho

Sim, o trieiro me achou

Me deu um sentido

Não me deu direção

Tenho liberdade de sair da trilha

O caminho não

Sair não faz sentido

Mas me dá direção

A norma está no caminho

Dos que vem e que vão

Mas quem se recusa tem liberdade

De direção

O chão de quem está no caminho

É quase uniforme

Pra quem está fora dele

A vestimenta é quase maldição

Ela rasga, acumula espinhos

O indivíduo rasga o chão

Mas a estrada controla aqueles que vem e que vão

(Posso parar pra fazer um lanche?)

Alucinações



Narrativas. Tudo não passa de narrativas. Não porque não existam fatos.  Os fatos são incontestáveis. Mas fatos não importam. O que é vital é a interpretação.  Um carro e um pedestre podem colidir. O fato da colisão de dois objetos é incontestável. Muitos dirão que o carro atropelou o pedestre. Usarão a chave de proteger o mais frágil. Outros dirão que o pedestre atropelou o carro. Preferirão proteger o mais abastado. Raros investigarão o fato. Procurarão imagens. Entrevistarão as testemunhas e os atores, se possível. Neste causídico momento far-se-á pior cada dará sua opinião independente dos fatos, já que os fatos não importam, nunca importaram. Dirão que é evidentemente um evento sobrenatural ou ligado a extraterrestres ou talvez seja culpa do governo ou da oposição.

Veem como uma coisa é ligada a outra? E de tanto se ligar a outras coisas mais externas perdem seu fundamento ou radicalidade (raiz).  Infelizmente dizer que dois mais dois é quatro (o fato) não diz muita coisa. Se forem grãos de arroz ou gomos de laranja fazem alguma diferença. Muito mais se forem marmitas ou jacas.  È preciso considerar se estão verdes, maduras ou podres. O estado do objeto também faz diferença. Espero, mesmo tendo ido tão longe, ter conseguido explicitar como o fato em si depende complementos, ou seja, de ambientação, interpretação.  Uma guerra num deserto e numa zona densamente habitada não pode ser tratada do mesmo modo mesmo que mate rigorosamente o mesmo numero de pessoas. Entretanto quando as narrativas perdem a objetividade podem dizer que são iguais ou que a guerra no deserto é mais perigosa com base em ideologia tirada de não sei onde.

Há incontáveis narrativas com base em passado fictício, presente fictício ou futuro fictício que deturpam a realidade e criam realidades paralelas absurdas. Sem nenhum pé na realidade porque trocaram a objetividade por desejos mesquinhos (no sentido de pequenos e pessoais). Vendem-se sonhos e pesadelos que são muito mais palatáveis que a insossa realidade. E se multiplicam a tal velocidade que a inteligência alucina por não conseguir mais processar fatos, realidades.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Metanóia

Se eu esperasse amanhã

Se amanhã não virasse hoje

Se ontem não fosse um dia morto

 

Eu estaria na eternidade

Não haveria o maldito tempo

Somente o espaço

Que em um abraço desapareceria

 

Viveria de mendigar resquícios

Montar quebra-cabeças

Juntar nossas eternidades

 

Costurar sentimentos ambíguos

Com fios sensíveis de paixões

Acreditando na metafisica

Para sonhar a realidade

domingo, 29 de junho de 2025

Merva

Queria estar no meio do mundo

No extremo dele estou

Estou digerido

Resto agora eu sou

Era emplume erva

Odor a acrescentar

Agora sou creme e ar

Depositado num vaso

Nenhum eu a se alimentar de mim

Só um plácido lago

Agua a me levar

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Blasfêmias

        




 

        A União Democrática Nacional (UDN) até a década de 60 do século passado eram os paladinos da moralidade. Foram os primeiros a achar que todos, ou quase todos. os problemas do país se resolveriam com o fim(?) da corrupção. No fim da década de 70, consolidando nos anos 80 nasce o Partido dos Trabalhadores fruto dos sindicatos de operários e das comunidades eclesiais de base herdando a plataforma menos moralista, mas ainda centrada na ideia de que a corrupção atravancava o progresso do país. Na última década do século passado surgem partidos como o PSDB e PL que passam a pregar que o que falta é técnica, que tem politica demais. Começam a aparecer os candidatos que administrariam os Estados como se fossem empresas.

Visões parciais que acreditavam que o roubo provocava maior mal que a incompetência. Uma ingenuidade ululante descrer na burrice como um mal que pode superar qualquer outro. Outros de que apenas saber administrar resolve o problema como se estivéssemos nas repúblicas de Hitler ou Stalin, num totalitarismo. Em nenhum outro regime o consorte consegue realizar tudo o que quer. Nem na tirania é possível. Porque até nela há oposição. Nem todo desejo vira fato. Fora do Totalitarismo é preciso manha, artimanha ou negociar, ou seja, política.

Na verdade, todos eles sabiam que legislar e governar é ilimitadamente mais complexo que se prender a simples maniqueísmos: Roubo/Ingenuidade; Técnica/Política. Qualquer dicionário de antônimos não reconhece nenhuma dessas oposições porque nenhuma está relacionada a outra. É possível ser honesto, técnico e fazer política. A maior oposição talvez seja ser eleito e ser honesto, mas não quer dizer que seja impossível.  Politica como ação não é uma realidade restrita as eleições. É uma pena que a maioria tenha se convencido dessa mentira. E a pior de todas de que a politica se restringe aos políticos.

Os discursos eleitoreiros que se tornaram muito piores neste momento, perderam toda a materialidade em slogans vazios: a Itália é para os italianos, Zeus acima de tudo, Pastor bom é pastor morto. Coisas que não dizem absolutamente nada. Quem são os italianos? Os nascidos na Itália ou os que tem por origem famílias italianas? Os que decidiram morar lá e colocar seus negócios importantes gerando empregos não tem os mesmos direitos?  O que é tudo? Todas as coisas? Todas as pessoas? Todas as ideologias? Toda atividade de pastor é inaceitável? Alguma atividade não pode ser entendida como metafórica em vez de estelionato?

Governar ou legislar pressupõe negociar, tentar fazer o melhor POSSÍVEL.  A ênfase tem que estar em possível, porque o impossível nunca se ganha mesmo quando se propõe. O melhor é sempre uma enorme desilusão. Essa é a parte política. A técnica está em saber o que propor e como propor para dar um passo a frente no fim de tudo. Mas não adianta saber o que se quer ou o que é necessário se não se sabe viabilizar, negociar. Afinal nem os mais próximos pensam igual. A multiplicidade então... É bom que seja o máximo possível honesto pra perder menos dinheiro no caminho pra aplicação. Mas se o gestor é burro ou ineficiente de nada adianta ter economizado na feitura já que a obra é inepta ou inoperante. O desperdício foi maior ainda.

Eu sei que esse texto é inútil porque as pessoas preferem se apegar a mentiras fáceis. Construir dogmas em vez de pesar, sopesar argumentos. Estão doidas para continuar no velório da política enquanto os espertalhões transformaram tudo em economia, em negócios. Governos comprando o legislativo desde 2004. O legislativo comprando votos para a própria reeleição sequestrando dinheiro do executivo desde 2015. Negociar significa ser ingênuo, ser enganado porque a logica não é mais política, é econômica. Todos querem fazer o melhor negócio, mas não justamente. Querem um enganar o outro. E quando um malandro encontra um otário... É o mal de sair da política. Na política se um não confia no outro, nada sai. Nos negócios...

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Minhocando

Hoje não!

Hoje é dia santo

Dia de São Fanfarrão

O padroeiro das coisas sérias

Das inutilidades

Que não servem a ninguém

Senhoras de si

Como as minhocas

(As borboletas estão pregadas no isopor)

Borboletando

As asas da borboleta estão no arame

O corpo flexado no isopor

Expõe-se sua beleza

Foi uma lagarta feia

E livre

E comilona

Agora tinha dois outdoors em si

Dois quadros majestosos

Até desfilou pelo mundo

Mas a flexa do destino a capturou

Faz parte de um belo quadro de borboletas

(É uma beleza que prende)

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...