Acompanham

terça-feira, 24 de junho de 2025

An-dança

Atravessar fronteiras

Físicas ou mentais

Pressupõe explodir linhas

Erodir limites

Superar-se

Sair de si

Desnaturalizar o local

Tornar universal o particular

E o efêmero moda

Convenções sem validade

Leis sem eficácia

Só boiar no rio

Daqui pra lá

De lá pra cá

Como um alargamento

Um traspassamento

Das fronteiras

Um esquecimento

Da naturalidade

Um somente existir

De não ser nada

Inclassificável

Um mistério

Que não demanda solução

(Ou simplesmente ser humano)

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Exercício longo

Ave Cesar!

A ave de Cesar

Pousou no meu ombro

Sua sombra

À sombra da ave de Cesar

Ave Cesar!

Os romanos morreram

Veio o Vaticano

Os romanos viveram

Em Roma

Arre Cesar

Cesar morto

Papou a papa

A ave de Cesar

Ave Papa!

O Papa papou a papa da ave de Cesar

A sombra do Papa pousou em mim

Ave Papa!

A papa papada se auto-papou

Ave Eu!

Ave Ego!

O Ego matou a ave!

O Ego eliminou o outro

Nem ave, nem ego, nem outro

Salve Algo!

Salvem algo

Salvem-se

Não saúdo o inexistente

Nada existente a salvar

O niilismo se salvou

Ao se negar a ser

Mas tudo existe

Nada é, mas existe

Que fiasco!

Um espaço aberto

Sem chão

Nem teto

Nem paredes

Nada nos prende

Nem nos segura de cair

No abismo infinito

A não ser que a Lei da gravitação

Seja anulada pelo legislativo

domingo, 22 de junho de 2025

As morenas e as carrancas

A dor que doi o mundo

É a agonia da existência

O sufrágio universal de existir

Comungar o mesmo local

Coagir-se a não ser múltiplo

Resignar-se a ser o pior de si

Enquanto aflora profundo

Beleza como floresta querendo nascer

Como toda raridade que queremos só pra nós

A escondemos

Resguardamo-la em forte cofre

Toda riqueza deve ser exibida em vidro blindado

Sufocamo-la

As sementes até por vezes escapam

Mas quem quer cultivar?

Quem o quer é parque particular

Assim mostramos as carrancas

E prendemos as morenas (enciumados)

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Amassa

Cortando trilhos

Desvaneço no trabalho

De um ofício a outro

Me reconheço múltiplo

Recoberto de feridas

Consolidado por partes

Partido por inteiro

De um lado a outro

Partido e nunca chegado

De um lado a outro

Trilhas de pão

A demarcar

Sinalizar o nevoeiro

Que encobre a mente

Com a rotina

A mesmice que dilui

A pluralidade

(Transforma tudo em massa)

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Oikonomia

Queria estar “para além do fim do mundo”

Além do fim das coisas

Bem ali onde você nasce

Minha indecisão

Entre o perfectível

E o inalienável

 

Lá onde principia toda história

Onde a realidade encontra dona carochinha

Onde os princípios não carecem de meios

Os fins não são imperativos

Onde Weber morreu

E ninguém lembra dele

 

Onde o príncipe não encontrou Maquiavel

Onde a discussão na praça é política

Onde as pessoas gritam, vociferam

Não por poder

Mas por algo concreto

 

Onde não há estrutura

As pessoas precisam ir a praça

Pra viver

Onde a política é o imperativo categórico

A morte é recolher-se a casa

Ou as coisas da casa

terça-feira, 17 de junho de 2025

A roseira

Perdi-me na roseira

Entre as folhas e acúleos

Eis me na corda bamba

Não uma horizontal

Mas a grande queda

Cravar-me-ei à serrilhagem?

Encaro um torno selvagem?

Bom...

No fim a flor sem cheiro

Sem dengo

Nem rodeio

Pura beleza inoperante

(preferirei afagar-me à grama)

domingo, 15 de junho de 2025

Presença

Correr em câmera lenta

É como viver em ansiedade

Ter a virtude da cautela

Cuidar do futuro

 

Parar no meio da estrada

Tomar outro caminho

Aspirar as flores

Deitar-se na grama

 

Ganhar um presente

Esquecer das preocupações

Abraçar a contingencia

E não a 

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...