Acompanham

domingo, 22 de junho de 2025

As morenas e as carrancas

A dor que doi o mundo

É a agonia da existência

O sufrágio universal de existir

Comungar o mesmo local

Coagir-se a não ser múltiplo

Resignar-se a ser o pior de si

Enquanto aflora profundo

Beleza como floresta querendo nascer

Como toda raridade que queremos só pra nós

A escondemos

Resguardamo-la em forte cofre

Toda riqueza deve ser exibida em vidro blindado

Sufocamo-la

As sementes até por vezes escapam

Mas quem quer cultivar?

Quem o quer é parque particular

Assim mostramos as carrancas

E prendemos as morenas (enciumados)

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Amassa

Cortando trilhos

Desvaneço no trabalho

De um ofício a outro

Me reconheço múltiplo

Recoberto de feridas

Consolidado por partes

Partido por inteiro

De um lado a outro

Partido e nunca chegado

De um lado a outro

Trilhas de pão

A demarcar

Sinalizar o nevoeiro

Que encobre a mente

Com a rotina

A mesmice que dilui

A pluralidade

(Transforma tudo em massa)

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Oikonomia

Queria estar “para além do fim do mundo”

Além do fim das coisas

Bem ali onde você nasce

Minha indecisão

Entre o perfectível

E o inalienável

 

Lá onde principia toda história

Onde a realidade encontra dona carochinha

Onde os princípios não carecem de meios

Os fins não são imperativos

Onde Weber morreu

E ninguém lembra dele

 

Onde o príncipe não encontrou Maquiavel

Onde a discussão na praça é política

Onde as pessoas gritam, vociferam

Não por poder

Mas por algo concreto

 

Onde não há estrutura

As pessoas precisam ir a praça

Pra viver

Onde a política é o imperativo categórico

A morte é recolher-se a casa

Ou as coisas da casa

terça-feira, 17 de junho de 2025

A roseira

Perdi-me na roseira

Entre as folhas e acúleos

Eis me na corda bamba

Não uma horizontal

Mas a grande queda

Cravar-me-ei à serrilhagem?

Encaro um torno selvagem?

Bom...

No fim a flor sem cheiro

Sem dengo

Nem rodeio

Pura beleza inoperante

(preferirei afagar-me à grama)

domingo, 15 de junho de 2025

Presença

Correr em câmera lenta

É como viver em ansiedade

Ter a virtude da cautela

Cuidar do futuro

 

Parar no meio da estrada

Tomar outro caminho

Aspirar as flores

Deitar-se na grama

 

Ganhar um presente

Esquecer das preocupações

Abraçar a contingencia

E não a 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Amanhecer

Espaçam as luzes

O tempo se foi

Não há mais escuridão

Veio a radiação

Espocou tudo

Retinas se fecharam

Tentam se proteger

Daquilo que as fere por todos os poros

O galo cantou

Acabou o sossego

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Corpos (dedicado a eu sei quem)





Que afago seria ter você ao meu lado

Roçando nós pelo com pelo

Pelados ou peludos

Introjetando aos pulsos

O liquido de nossa paixão

Pulsa, pulsa...

Ocupas ventrículos

Direito e esquerdo

Sangra dilaceradamente a saudade

Bate, bate

Apanha o coração

A minha cabeça só cobiça

Só pensa naquilo

A pele extasia, experimenta

Tensiona os sentidos

A derme vicia em sentir a outra derme

Uma engrenagem na outra a girar

Perdido estou na perdição

Assim me acho

No único universo que me interessa:

Você

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...