Acompanham

sábado, 24 de maio de 2025

Judas

O canário cantou

Tocou a música pedida

Revelou o segredo

 

O que era sagrado

Se tornou público

A magia

Tornou-se rito

 

O que era contrato

Virou notícia

O que era raro

Tornou-se comezinho

 

Por 30 moedas de prata

Ou não

O que era relação

Prostituiu-se

(nasce um judas)

Budas

Pé ante pé observo o mundo

Este acelerado e ignorante

Fatos todos engolidos

Em plena indigestão

 

Assisto o replay

Das análises do ano passado

Repudio as notícias

Espero virar história

 

Vejo as manchetes

Click baits

Imbecilidade pura

O mercador que grita mais alto na feira

 

Esse barulho todo fere meus olhos

No meu ouvido bate o silencio da razão

Constrangido e bêbado

Fujo desnorteado tropeçando em meu próprio passo

 

Passo

Fujo dessa

Me escondo em mim

Quem sabe no nada

Querendo ser Buda

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Solidez Humana

 Ao longo do rio

Fluem vivencias

Seguem o curso

Individualizam-se as margens

Transmigram os viventes

 

Ao longo do rio

Correntezas

Correntes de fé

Mergulham os batizados

 

Sorvem-se bebidas

Águas que passarinhos

Bebem ou não bebem

Drink batizado?

 

E gente que molha roupas

Esfrega, pui

Canta

Retornam ao lar imensas trouxas

 

Do mar ao mar

De serra em serra

Flui determinada

A desinência humana

 

Somos água?

Seremos água?

Da água viemos e a água retornaremos?

 

 

 

Pequena carta sobre a cautela e o medo

 


Seria a precaução tão somente um medo? Seria a previsão um princípio do planejamento? Seria o medo saudável? E planejar? Com essas perguntas todas em minha cabeça começo este texto. Confuso, inquieto como sempre. O futuro, uma incógnita para a maioria de nós, parece-nos amedrontador por não o conhecermos, nem podermos controlá-lo. Poderíamos fazer um paralelo com o que diz Adorno e Horkheimer em dialética do Esclarecimento, no qual diz que o homem precisa explicar/dominar tudo por causa do seu horror ao desconhecido.

Assim planejamos o futuro e esquecemos o presente. Acovardamo-nos, ao não tentar nada inovador, não nos arriscamos com medo do fracasso. Repetimos a mesma velha fórmula, bastante cômoda, para alcançar o mesmo mínimo e garantido sucesso (sucesso?) de sempre. Continuamos a fazer mais do mesmo, acreditando ter realizado algo novo de novo. A mesma balela de sempre a nos conduzir ao autoengano.

O planejamento, com certeza é muito importante, sem dúvida, mas somente quando temos uma visão crítica suficiente para não cair na tentação de ser guiado pela previdência. Não há nenhum mérito em realizar o fácil óbvio. Planejar com ousadia o novo. Este sim é a tarefa do planejamento: inovar. É preciso se libertar do medo de quebrar a cara e encarar o mundo de peito aberto. Como seria belo isto! Mas o medo parece nos emparedar nas redes da cautela e do temor. Bom... pensemos sobre essa curta reflexão...

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Universal

Tinha um mundo todo a minha volta

Mas só via meu universo

Meu lindo umbigo

Alguns chamam de miopia

Minha falta de visão

Eu chamo de egocentrismo

Nasci pra ser antropocêntrico

Mas as comodidades

As dificuldades

O liberal idealismo

Me formou individuo

Quase um sujeito

Um universo-em-si

O universo se basta

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Incoerências

 


Hoje pensei em expor-lhe uma das contradições que acho mais interessante nas ciências sociais que norteiam nossas ciências humanas e boa parte da filosofia atualmente. O problema torna-se maior no momento em que os problemas afetam a compreensão da história. Todas as ciências hoje, mesmo as naturais e principalmente as humanas, são consideradas históricas, ou seja, ligadas a seu tempo e as contingencias do momento.

Tu bem sabes que Emile Durkheim, um funcionalista, um dos mais eminentes deles, pois fundou a sociologia cientifica moderna, acreditava que a sociedade era um sistema em equilíbrio. Também não ignoras que Hegel acreditava que a história apesar da dialética, do conflito de movimentos opostos, tinha um caráter progressista e positivo, tinha um espírito, um rumo certo. E que o próprio Karl Marx era fatalista quanto a historia. Claro... Inspirou-se em Hegel (leu ao contrário a dialética, mas se inspirou). Acreditava que o fim natural do capitalismo como regime que se autodestrói seria o comunismo.

As visões dominantes da história se consideram esta mesma fruto da ação humana, nada mais natural, também tem uma visão determinística ou fatalista em sua base. Espinosa em sua religiosidade mundana também impunha um certo fatalismo, mas desta vez solidamente construído, pois está imerso ao próprio mundo. O que aprendemos, estudamos ou cremos sobre a história é exatamente o contrário: a história é feita pelos homens desde a Grécia Antiga, onde havia a intervenção dos deuses, mas a história era humana ainda. Vale destacar que nós humanistas, que acreditamos no livre arbítrio, no trabalho como construção do mundo, embasamos nossas teorias em paradigmas que são conservadores (o funcionalismo) ou fatalistas (dialética positiva de Hegel ou negativa de Marx).

Portanto se o materialismo histórico ainda fundamenta as principais teorias históricas, sociológicas, antropológico-culturais e por mais que o marxismo original tenha crescido ou se modificado com Antônio Gramsci ou com os Frankfurtianos, ainda sobra certo fatalismo de Marx. Como sobra certo conservadorismo de Durkheim em quem melhor juntou as teorias sociológicas modernas e as disciplinou coerentemente: Max Weber.

Quer dizer, sem dúvida somos todos induzidos a acreditar coerentemente na única tese aprazível ou possível que é a de que nós fazemos a história a cada momento de nossa vida, mas toda a base das teorias que fundamentam nossa ciência crê num destino... Curioso isso. Não?

terça-feira, 20 de maio de 2025

Oração

Altíssimo vos clamo

Abaixa aqui

Vedes como somos formigas

Sonhando em ser cigarras

Vivemos o futuro

Não nos perdemos no presente

Tudo tem nos dado

De nada usufruímos

Vivemos a ansiedade

O que será do amanhã?

Estaremos mortos

Se não estivermos?

Mais um dia pra viver

Perdão Senhor

Por não desfrutarmos

Do presente que nos destes

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...