Acompanham

terça-feira, 13 de maio de 2025

Do existencialismo ao niilismo

Voar não é pavimentar o chão

É antes abstrair o caminho

Da materialidade à imaginação

É ver com outros olhos

O gosto da imersão

Num universo sem latitude

Trespassar a divisão

Dobrar o arame liso

Arrebentar o farpadão

Correr sem ter destino

Perecer na multidão

Ressuscitar sozinho

Saber-se um mero grão

Imiscuir-se na solução

(Tudo solucionado perdido está)

Uma vida torcida

Calças puídas de arquibancadas

Perdas punidas e vitórias despedaçadas

Assim vive o apaixonado

 

Recebendo punhaladas das esperanças

Agradáveis anseios

Esperas fatigadas

 

Mau tratado por suas paixões

Enterrado solenemente em

Inacabável esperança

 

Quanto menos recebe

Mais buques envia

Cava a própria cova

(Num belo caixão o torcedor)

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Caridade e Orgulho. Fraternidade?

 


A literatura muitas vezes explica melhor uma série de coisas que a própria filosofia. Então decidi recortar dois textos aparentemente dispares ou não. Quem dará significação ao texto é você. Um é o verbete do literato e filósofo, François Marie Arouet, vulgo Voltaire. O outro é o início do livro Angústia de Graciliano Ramos, que talvez devesse ser reconhecido como um cientista social pela profundidade de seus textos e pesquisas, por mais que seu objetivo final fosse à literatura. Os dois textos, entendo eu, falam de miséria e mendigagem de formas contrárias não sendo a maior diferença objetiva, mas subjetiva, de consideração...

1º O começo do verbete Amor-próprio do Dicionário filosófico de Voltaire:

Um mendigo dos arredores de Madrid esmolava nobremente. Um transeunte disse-lhe: “- Você não tem vergonha de se dedicar a este oficio infame, quando pode trabalhar?” “- Senhor – responde o pedinte - pedi-vos dinheiro, não conselhos”; e voltou-lhe as costas com toda a dignidade castelhana. Era um mendigo tão orgulhoso como qualquer senhor. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si, e por amor de si não suportava reprimendas.

Já que se tocou nesse assunto, coloco Oscar Wilde pra falar também retirando um trecho de Os grandes escritos anarquistas:

Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes – e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola sentimental, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela.

Nos dois trechos temos dois tópicos diferentes que reforçam a necessidade da dignidade para todos independente de raça, cor, nacionalidade ou condição social. Agora no próximo trecho creio que o narrador tem uma perspectiva que embora não tão explícita fica clara no desenvolver do trecho. O trecho são as primeiras frases do romance Angústia do grandioso Graciliano Ramos:

Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios.

Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa. Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição. Um sujeito chega, atenta, encolhendo os ombros ou estirando o beiço, naqueles desconhecidos que se amontoam por detrás do vidro. Outro larga uma opinião à toa. Basbaques escutam, saem. E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos, oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama.

Bom... com pequenas discordâncias, mas com ângulos diferentes é possível concatenar tudo, mas se eu não pretendo concatenar segundo minha ótica pois eu desconheço a verdade em âmbito humano. Portanto prefiro que fique com a sua. Por favor, tire as suas próprias conclusões, já que não prestarei o desserviço de emitir minha síntese...

domingo, 11 de maio de 2025

Ignorancia minha

Todo dia é dia das mães

Todo o dia é

Um pokémon visita toda a casa

Onde não tem cerca a mãe está

 

O pequeno ser impressiona

Pela agilidade

Pela simpatia

Com que disfarça suas traquinagens

 

Lá está a adulta

A cultuar sua grande obra

A ser sufocada pela empatia

(se descobre mãe)

sábado, 10 de maio de 2025

Por um paradigma não científico

 


Todos sabemos que o pensamento de cada época foi norteado por seu respectivo paradigma. Pelo menos assim nos parece após o livro Estrutura das Revoluções Científicas, do físico Thomas Kuhn. Os paradigmas são teorias fundamentais que foram baseadas cada qual em um tipo específico e diferenciado de ciência. Primeiro, na fase pré-científica, numa não ciência: a mitologia. Depois numa ciência pura: a matemática. Depois nas ciências aplicadas: uma física predominante sobre a biologia principalmente. Com o advento da psiquiatria, uma acentuação para o lado da biologia. Depois uma desconstrução de teorias universalistas e uma série de teorias específicas com pretensões paradigmáticas: baseadas no cinema, na antropologia cultural, na economia, ressurgimento das teorias mitológicas, teorias nucleares. Finalmente uma tentativa ainda em ação de uma síntese dessas diferentes teorias num paradigma tão abrangente como a ecologia como ciência.

Na verdade eu escrevi tudo isso só pra propor minha visão nesse assunto ( a qual posso mudar após discutirmos, mas creio ser razoável): creio que deveríamos esquecer a construção de um novo paradigma, como tal científico, e em vez disso aceitarmos a política (não a ciência política) como pensamento fundamental. Digo, a política na sua concepção mais clássica, que teve seu significado recuperado por filósofos como Hannah Arendt e Jürgen Habermas, como um domínio do diálogo e da criação de acordos, cuja a coerência não cabe a nenhum outro saber.

Nós sabemos que todos os paradigmas como científicos tentaram descredenciar suas falhas como o ganso verde que não pode ser ganso porque todos gansos são brancos então vira um fanso pra não estragar a teoria. Algo que viesse da política não teria essa falta de flexibilidade e não necessitaria descredenciar nenhum argumento assim tão facilmente.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Leonino

Me fascina o ocultismo da física

Os mistérios da matemática

O messianismo da química

 

Mas o que assusta mesmo

É a exatidão do horoscopo

A ciência da astrologia

Da numerologia que nos destina

 

A certeza de cada superstição

De cada ato mágico racionalmente calculado

É empiricamente comprovado

Numericamente contabilizado

 

A ascendência da lua e do sol

Refletem-se na minha signatura

Delineia o que sou

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Messianismo

Guardei o dia

Perdi a noite

Em pensamentos

 

Angustiado

Pela falta

A ausência

De coisa nenhuma

 

A existência

É a única verdade

Aliena todo o resto

(O resto existe?)

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...