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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Ironia

 


Aquele que como filho da humanidade inteira viveu como um homem só desdenhou da origem e focou no destino. Soube curtir sua solidão e se embriagou na multidão. Fez pizza ou ravioli da massa. Não pôde existir porque precisava viver. Sobreviveu as ilusões deitado na cama de pregos da realidade.

Aquele que aceitou a dor pode sorrir porque sentiu. Não estava anestesiado. Não confundiu rocha com travesseiro. Se adentrou o engenho, foi moído e soube a diferença entre afago e cortes. Tentou guiar-se pela razão. Acreditou seguir suas vontades. Mas ignorou que os instintos são muito mais fortes. Se iludiu com as próprias ilusões, mas como Sócrates foi o mais sábio de todos ao saber que tudo ignorava.

Nasceu, morreu e no meio disso. No meio disso niilismo, concretismo, surrealismo fantástico. Infinitas eternidades marcadas por o serem, mas frugais e fugidias. Permanece o conceito. Desaparece a concretitude. O eterno só é eterno por ser irreproduzível. A eternidade passa. Sobra a esperança de vir a próxima. Essa eterna mentira que é a esperança. A causa de todas as desilusões.

 E, sim, ele sorriu, sorriu muito de seus erros, da própria ingenuidade. Aprendeu a rir de si mesmo e tornar a vida uma comédia. Melhor ser um palhaço que não se leva a sério que um dramaturgo angustiado. Assim foi. Assim era. Mas nada continua sendo. O fim? O fim não tem. Só interrupção.

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