Aquele que
como filho da humanidade inteira viveu como um homem só desdenhou da origem e
focou no destino. Soube curtir sua solidão e se embriagou na multidão. Fez pizza
ou ravioli da massa. Não pôde existir porque precisava viver. Sobreviveu as
ilusões deitado na cama de pregos da realidade.
Aquele que
aceitou a dor pode sorrir porque sentiu. Não estava anestesiado. Não confundiu
rocha com travesseiro. Se adentrou o engenho, foi moído e soube a diferença
entre afago e cortes. Tentou guiar-se pela razão. Acreditou seguir suas
vontades. Mas ignorou que os instintos são muito mais fortes. Se iludiu com as próprias
ilusões, mas como Sócrates foi o mais sábio de todos ao saber que tudo ignorava.
Nasceu,
morreu e no meio disso. No meio disso niilismo, concretismo, surrealismo fantástico.
Infinitas eternidades marcadas por o serem, mas frugais e fugidias. Permanece o
conceito. Desaparece a concretitude. O eterno só é eterno por ser irreproduzível.
A eternidade passa. Sobra a esperança de vir a próxima. Essa eterna mentira que
é a esperança. A causa de todas as desilusões.
E, sim, ele sorriu, sorriu muito de seus
erros, da própria ingenuidade. Aprendeu a rir de si mesmo e tornar a vida uma
comédia. Melhor ser um palhaço que não se leva a sério que um dramaturgo
angustiado. Assim foi. Assim era. Mas nada continua sendo. O fim? O fim não tem.
Só interrupção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário