Estamos hoje
na véspera da segunda data mais importante do calendário cristão, a primeira é
a ressurreição do Cristo, cordeiro imolado de Deus para redimir o pecado dos
homens. Amanhã comemoraremos o nascimento do Nazereno, Cristo Jesus, aquele que
após reduzir as leis mosaicas, os dez mandamentos a dois, teve o poder de
síntese de reduzi-los a um só mandamento. Está em João 15,12: “O meu mandamento
é este; amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês”, Jesus fala aos seus
discípulos.
Amanhã, mais
do que qualquer coisa significa a troca da lei bruta e severa do velho
testamento pela lei do amor tão repetitivamente assinalada pelo Deus encarnado.
Mas Jesus foi severo diversas vezes dirão alguns. Pois bem, amor nunca foi
isento de cobranças e nunca existiu sem compromisso. Não, Jesus não casou com a
humanidade, tampouco namorou ou noivou, entretanto foi subversivo o bastante
para provocar o caos em Roma com a lei dos mansos. Ele já havia dito que os
mansos herdarão o mundo. Em Mateus 5,3-12, Jesus proclama o alento que tornarão
os primeiros cristãos mais firmes que as rochas: “Felizes os pobres em
espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os aflitos, porque serão
consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm
fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os que são
misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. Felizes os puros de coração,
porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados
filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque
deles é o Reino do Céu. Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se
disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. Fiquem alegres e
contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo
perseguiram os profetas que vieram antes de vocês”. Nada poderia dar tamanho
incentivo aos cristãos para que passivamente subvertessem a lei de Roma, pois a
glória lhes era garantida.
O amor nasceu
para subverter o mundo, integrar os que seriam naturalmente separados,
desintegrados, individualizados. O amor cria as ligações, as comunidades do que
é comum, as assembleias do que é incomum. O amor comunica o incomunicável. Une
os diversos e comuns. Portanto não razão maior para essa festa que união.
Reunir os amados e amar sem consequências, sem limites como pregou o Deus do
amor. Nesta véspera estarei pensando em algumas pessoas, em alguns amados e
amadas e principalmente em quem nunca sai da minha cabeça: você, meu amor.
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