As histórias pessoais são em última análise a base da história universal, a história mais ampla que existe, menos previsível e mais importante porque constitui o ambiente para todas as outras. Como já dissemos, é praticamente impossível prever como se encaixa e que resultado as ações individuais, ou a interação destas, tem na história universal. Mas quanto menor o âmbito da história, mais previsível é o resultado das ações. Como se fossem experimentos: quanto mais numerosos e mais fortes os limites mais determinados são os resultados destes.
Assim,
determina-se a importância da ética como a parte da consciência que está sempre
ponderando para alcançar o maior bem comum ou bem público. Toda ação na
história pessoal, ou na história dos indivíduos ou história individual tem uma
consequência direta previsível, embora não determinada. Assim avoluma-se a
importância de agir bem. Aí entra a ética tão esquecida.
É verdade que
a ética hoje é muito mais pragmática que bem intencionada. Natural numa
sociedade em que os fins valem muito mais que os princípios. Assim uma ética da
responsabilidade se torna imprescindível para mudar a história. É óbvio também
que não podemos deixar para trás nossos princípios. Boa parte deles são
inegociáveis por natureza, pois inobservados fatalmente a civilidade
descambaria para a barbárie. Creio, na verdade, ser inexistente esse
maniqueísmo pregado entre as éticas de convicção e de responsabilidade. É
possível e desejável satisfazer as duas.
Agir bem não
significa somente ir para as ruas lutar por direitos ou cumprir deveres. A
conduta ética se define em cada ação, em cada interação. Por isso a ética é
companheira inseparável da política para Sócrates, Aristóteles, Hannah Arendt
ou Jüngen Habermas. Assim, o homem político não pode deixar de agir no mundo
observando e refletindo sobre seus atos. Se aperfeiçoando para agir melhor.
Carregando o fardo de em sua história pessoal criar as melhores peças possíveis
do grande quebra-cabeça que será a história universal.
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