Araram a terra
Arara a terna
Ara! A perna
Pingou o pingo
Moeu o moinho
Eu já me vou
A perna arou
O pingo se foi
E eu com isso?
Linhas de um pseudofilósofo menor nas formas possíveis das coisas sem essência e concretitude. Os contos alfabéticos viraram livro em fevereiro de 2026. Vim do passado pra dizer.
Araram a terra
Arara a terna
Ara! A perna
Pingou o pingo
Moeu o moinho
Eu já me vou
A perna arou
O pingo se foi
E eu com isso?
Quem era Kaique? Sei lá? Me mandaram contar a história.
Tinha ele um caiaque? Seria o Kaique do Caiaque? Não sei. Só sei que me deram
essa ingrata tarefa. Se brincar é um desses vereadores eleitos pela balsa do Espirito Santo. Um funcionário do Pedro Iram (PIPES) ou um dos vendedores das
bordas.
Bom... tem duas chances maiores: Palmas ou Tocantinópolis.
Ou sei lá, era de Lajeado mesmo. Não importa. Com esse nome duvido que fosse
apenas um vereador. Deve ter sido deputado estadual ou até federal. Senador
ainda não. Não duvido no futuro ter um Leozinho do Jet-ski, mas hoje ainda não
cabe.
Não me informaram nada desse Kaique. Será que
tem sigilo nessa investigação? Vou procurar um promotor pra ver se abre pra mim
as informações. Se não der certo, vou ter que procurar um juiz. Mas se o diabo
do Kaique for o procurador ou juiz? Ah! É melhor eu inventar a história. Depois
o editor transforma a história na que ele quiser.
O nosso tão famoso e benquisto Kaique nasceu
em uma cidade da região norte. É a maior e a menos povoada do país.
Provavelmente no Tocantins ou em algum estado que faz divisa com o Tocantins.
Se for assim tem mais chance de ser do Nordeste ou do Centroeste. Da região
norte só o Pará faz divisa com o Tocantins. Do Nordeste, Bahia, Piauí e
Maranhão. Do Centroeste, Goiás e Mato Grosso.
Como eu sou o narrador e me interessa coloca-lo
como natural de Porto Alegre do Tocantins, cidade onde fica o projeto de
irrigação Manoel Alves, vai ficar assim. Vai ter que comer muito abacaxi,
melancia e manga na infância. Laranja, limão e mixirica também. Sorte dele! Hoje
se fosse lá só iria comer ração de porco, digo soja e gramíneas como o milho.
Teria sorte se chupasse uma cana restante em alguma plantação. As frutas? Essas
desapareceram.
Certamente muito cedo migrou para Natividade, Porto
Nacional ou Palmas. Ou para Porto Nacional e de lá pra Palmas. Com vias futuras
de migrar para o outro lado do rio, quer dizer, novamente Porto Nacional se a
região não se emancipar. Por sua afinidade com a agua certamente deve trabalhar
numa náutica ou na marinha. Ou seja, ou regula a ocupação das margens do lago
do Lajeado ou vende motos náuticas, jet skis, caiaques e lanchas.
Talvez até plante coqueiros nas margens do rio
para lembrar da feliz infância no Manoel Alves. Se plantar coqueiros, podia me arranjar
uns cocos. Ficaria feliz de terminar essa história bebendo uma água de coco. Mas
sei que não vai dar então tchau! Fim. Caba logo, sô!
Era uma vez
Era outra vez
A mesma
Com sinal trocado
A mesma epifania
Os mesmos personagens
Conto de fadas
Historinha pra dormir
Inventaram mitos
Tiraram todo heroísmo de si
Botaram num João-bobo de posto
Posto assim sem nenhum remendo
E a política que cada um devia fazer
Ficou na cozinha cozinhando o galo
Na espera por milagre sem fazer sua parte
Depositei o voto na urna
Virei a esquina
Olhos à frente
Vejo novos cenários
Mas a rua antiga...
Está na minha mente
As boas lembranças...
As más esqueci
À frente bancas de revista
Restaurantes, bares
Lembro da velha mercearia
Piso em rua asfaltada
Mas meus pés não se esquecem
Da melada lama que os abrangia
Da grama que os acariciava
Dobrei a esquina
Mas não me dobrei
Memória no passado
Aspirações no futuro
Vida no presente
Nada desapareceu
Está tudo lá
Mas não importa
Se está tudo
Nada está fora
Nada se destaca
Não escolha
pra quem escolheu tudo
Cadê meu café?
Não, não quero café e chá misturados.
Segunda-feira, segundas intenções
Descer a ladeia de segunda marcha
Comprar o veículo de segunda mão
Seguir a vida de segunda
Tecer terços pra segundar
A responsabilidade pra alguém
Seguir segundo lhe mandam
Pra securitizar a vida
Ou a não-vida
Tudo conforme a ordem
Pra na quarta-feira
Ou no quinto dos infernos
Esquecer de tudo isso
Se alienar
Não é minha culpa hoje ser
segunda
Pra no sábado sabático
Sonhar com o feriado do próximo mês
É domingo, Seu Domingos
Sábado já foi
A feijoada desceu
Só a breja ficou
Nada que uns dez ou vinte polichinelos
Se a tontura passar
O desequilíbrio
Não convém andar no muro
Ou melhor sobre o muro
O muro é boa bengala
Mas ninguém monta nela impunemente
Hoje é dia do rosário
A capelinha lá no monte
O bar na encosta da descida
Pra ouvir bom samba
Sobe na cantoria de Nossa Senhora das Graças
Desce no batuque da nossa senhoria do boteco
Desce um rasga-ventre?
Um torresminho?
Segunda é bater biela na ferrovia
Mas hoje é domingo, seu Domingos.
“Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...