Acompanham

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Enredado

Alguma coisa sempre surge

Onde nasce o desespero

Confusa e desenganada

Nada além de fuga

Tudo intrinsecamente entrelaçado

Plena confusão

Difícil separar os sentidos

Tudo se acumula

Se enrola

Quanto mais mexe

Mais preso está

É a armadilha da confusão

Quem concentra se perde

Quem intui escapa

Quem estuda aprende

Quem escapa é livre

Só não sabe pra que.

Você pode conhecer o emaranhado

Ou só admirar a peça

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Mediocridade

Vou não vou

Cê não vai?

Não, não vou

Não estarei aqui

 

Ficar é custoso

Ir é demorado

Quando chega?

A tal felicidade

 

Contentamento não é pra quem pensa

Raciocinar não é racionar energia

É se desgastar por nada

Corromper a alegria

 

Não, não vou mesmo

A alegria é efêmera

A melancolia é duradoura

Serve-me a mediocridade

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Aurus Vivitas

Contornava as retas

Cortava as curvas

Trilhava caminhos inóspitos

Criava trilhas

Espalhava as migalhas da experiencia

Experimentava viver cada passo

Descartava o passado

Já o tinha vivido

Não ansiava pelo futuro

Impossível vive-lo

Degustava os presentes

Presentemente

 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Enredo

Perderam-me na esquina

Cruzei a diagonal errada

Não vi cachorro

Nem automotivo

Trombei minha própria perna

Ultrapassei o medo

Cheguei no pavor

A queda é prevista

O chão é seguro

Nada mais a fazer

Sobra viver

domingo, 27 de julho de 2025

Perdimentos

A contingência é um negócio triste

Mas pode ser alegre

A tristeza tem seu fim

A alegria limites

Sobra alergia

Nem todas são rinites

A gente comemora

O chopp uma hora gora

Inevitabilidade


 

O mestre Juraildes da Cruz num estalo de rara felicidade cunhou a melhor definição da inevitabilidade na música Se correr o bicho pega:

Eu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tava
Quanto mais eu corria mais pra perto eu chegava
Eu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tava
Quanto mais eu corria mais pra perto eu chegava

Ou seja, numa simples situação mostrou que é impossível deixar de ser quem é, porque mesmo que se modifique você não deixa de ser o que se tornou. Consegue pensar uma ontologia moderna, algo muito delicado dado á força do existencialismo na modernidade tardia. Óbvio que o existencialismo pode refutar e desqualificar a reflexão facilmente ao argumentar que ninguém é. Ou seja, o pressuposto é falso. Mas não é uma suspeição simples já que existir é muitas vezes erroneamente entendido como ser.

 

sábado, 26 de julho de 2025

Nada combinado, tudo resolvido

Correu meia quadra

Rodeou um círculo e meio

Cruzou o polígono

Não sobrou nada

Se afogou no riacho

Elevou o solo

O teto foi ao chão

Tudo certo

Tudo salvo

Nada combinado

Chegou ao fim

Haverá recomeço?

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...