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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Meu novo smartwatch



Correr faz chegar mais cedo ao subjetivo

Pergunta alvoroçado meu velho relógio

Temendo ser trocado por um desses smartwatches

 

Eu cá não sei nada

A moda há de definir meu destino

Não acredito em providência

Mas a propaganda há de me vender

 

Vendido voltamos ao escravismo

Mas pelo menos não sou responsável

Troco a razão pelo desejo

 

Que nem é meu

Foi me introduzido pelo novo

O que estará no meu braço é útil

Eu velho sou descartável

(Sou vitima do relógio que não tenho e do smartwatch que talvez terei)

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Pensar exaure



Pensar exaure! Pensar é um exercício? Até é. Mas não é um exercício muito pesado, a não ser que se esteja construindo um artigo acadêmico ou uma tese. Não é pelo esforço calórico que o pensar cansa, mas pela sobrecarga. Pensar exige que se agregue mais uma, duas ou três atividades ao cérebro. Todas elas com ramificações. Quanto mais liberto o cérebro, mais ramificações.  Um cérebro focado corre uma corrida de cem metros. Faz um esforço brutal e logo termine ou num desgaste extremo corra uma maratona e depois tenha dias pra recompor. A tarefa já foi cumprida. Um pensamento que é constantemente desfocado pelo ambiente histórico e cultural corre um triatlo, muitas vezes um Ironman.

O problema não é a força de vontade da pessoa manter o foco. Vivemos na sociedade mais “barulhenta”. Não por causa das pessoas. As pessoas não estão revoltadas nas ruas. A maior parte do barulho vem de maquinas, de objetos que se tornaram nossas extensões ou extensões da sociedade. Multiplicidades em mídias, poluições sonoras, visuais, sensoriais das mais diversas. Numa forma teológica recebemos incontáveis tentações. Cientificamente inúmeros estímulos interagem conosco. Como é uma interação para não participar precisamos ignorar, mas não é fácil. Para o melhor entendimento pense em alguém te cutucando de minuto a minuto pra fazer alguma coisa para se livrar você precisa renunciar ou ignorar. Não é fácil. Pense que você sabe que precisa ou deseja interagir, mas tem muitas outras coisas a fazer...


quarta-feira, 9 de julho de 2025

Prosseguimento

Comprei com tempo a paz

Um odor de café me invadiu

O tempo é escasso e o café é caro

A paz?

A paz é um ideal kantiano

Pura fantasia

Só conheço a alienação

O desconhecimento

A negação plausível

Nenhum vivente pode ter paz

A paz prescinde o afastamento

Da vida

Do hoje

Do presente, do passado e do futuro

Necessita fingir demência

(E prosseguir)


terça-feira, 8 de julho de 2025

Trajeto

Correu contra a corrente

Venceu o vencimento

Progrediu para Alto Progresso

Amou Cida na cidade

Deu três beijos em Trindade

Teve ânsia em Goiânia

Esmoreceu

Foi ser mito na Lapônia

Dar feno às voadoras

Por fim voltou a terra natal

Comprou um disco do Noel

E foi ouvir a manhã silenciosa

segunda-feira, 7 de julho de 2025

No giro da multiplicidade: a ansiedade compulsória



Vivemos numa sociedade com um excesso de estímulos e que nos leva a realizar multitarefas pois somos estimulados a fazer várias coisas ao mesmo tempo. Ler enquanto ouvimos uma música no background para isolar os eventuais sons que dispersariam nossa atenção. Citei um exemplo onde se usa uma segunda tarefa para se concentrar na primeira. Numa época de menos estímulos o silêncio seria mais adequado.

Enquanto escrevi este texto toca uma música no YouTube dentro da televisão porque provavelmente eu acho que perderia meu tempo se não escrevesse esse texto e ouvisse música ao mesmo tempo. A música nem serve de background porque eu estou ouvindo mesmo. E de vez em quando olho pro televisor pra ver a coreografia ridícula de Never Gonna Give You Up.

Estamos modulados a usar todas as possibilidades de aproveitar nosso tempo na multiplicidade e não no foco. O foco nos provoca a fazer uma coisa bem feita (um monismo, talvez uma paranoia) e a culpa de não ter feito/aproveitado um monte de coisas. Talvez relacionado ao consumo de inúmeras coisas frágeis e limitadas em vez de coisas duradouras. Não importa criamos uma ansiedade constante que se retroalimenta.

Segundo o Deepseek há uma **forte correlação entre hiperestimulação e ansiedade**, embora a relação seja complexa e multifatorial. Ambos os conceitos estão interligados tanto fisiologicamente quanto psicologicamente. […]

[…]A hiperestimulação não só **desencadeia** ansiedade, como também é **amplificada** por ela. Reconhecer os sinais (ex.: fadiga constante, irritabilidade, dificuldade de "desligar") é o primeiro passo para intervir. Em casos persistentes, buscar apoio profissional (psicólogo ou psiquiatra) é crucial para evitar cronificação.

domingo, 6 de julho de 2025

Tempestuoso

Choveu na minha horta

A abobrinha melou

Veio o sol

O tomate murchou

A vaca lambeu meu cabelo

Tudo se acertou

Arei a horta e plantei um milho

Não sei de pamonha ou pipoca

Daqui uns meses descubro

Se a vaca comeu a gramínea

Ou se meu vizinho faz churrasco

(ou o milho é o que estou ajoelhado em cima?)

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Drama

Pularam o Corguinho

Eu me afaguei no rio

A fonte das lagrimas

Nossa tristeza

Cada reage de um jeito

Pulei no meio do problema

Você quis ignorar

Estava certa

Eu em processo

Foi prática

Eu meditativo

Costurastes os nervos

Decidi trilhá-los

Rendeu-se a calmantes, ansiolíticos

Estou preso num psicodrama

(Meu bem você venceu, mas eu curti e curto)

Bicho-do-mato

  “Sinceramente... contar uma estória não é pouco”, dizia ele como se fosse qualquer coisa. Um interlúdio entre uma conversa e outra. Sua vi...